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Por insucesso ou por opção de aprender um ofício para começar a trabalhar cedo, muitos jovens entram no centro de formação CENFIM. A motivação pela formação prática leva-os a obter bom aproveitamento e um emprego ainda antes de concluírem a formação.

Pedro Silva, 20 anos, integra a seleção nacional que vai em agosto ao campeonato do mundo das profissões, no Brasil, onde os 17 portugueses vão concorrer com 60 países para serem os melhores do mundo. Desses, quatro são do CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica.

Aluno de 16 e 17 valores, frequenta no CENFIM de Torres Vedras o nível 5 (preparação para a universidade) do curso de mecatrónica em horário pós-laboral, uma vez que trabalha numa empresa onde ingressou mal concluiu o nível 4, de equivalência ao 12º ano.

“Nunca tive dificuldades na escola. Acabei o 9º ano e optei por uma via mais profissional. Vim para o CENFIM porque dá equivalência ao 12º ano do ensino regular e, além de continuar a estudar, estava a aprender uma profissão, que é aqui garantida. Quando acabei o 12º ano, arranjei logo trabalho como eletricista numa empresa de instalação de quadros elétricos de média potência”, conta à agência Lusa.

Fábio Santos, 22 anos, é outro exemplo. Depois de concluir serralharia nível II e Desenho nível III, saiu da escola há dois anos para integrar os quadros da Metalovimac, empresa de Torres Vedras que recebe alunos durante o estágio e que, de um total de 68 trabalhadores, tem 15 que são ex-alunos do CENFIM.

“Antes de acabarem os cursos, ficam com contratos de trabalho apalavrados porque damos logo uma ideia que queremos ficar com eles logo que terminem o curso. É a empresa que vai ter com o trabalhador se for realmente bom”, explica o gerente Hélder Reis.

“No final da formação só não vai trabalhar no setor quem não quer ou tem outra opção. A empregabilidade é garantida a todos. Hoje a procura das empresas é muito superior à capacidade da nossa oferta”, refere Manuel Grilo, diretor-geral do CENFIM.

A comemorar 30 anos de existência, aquela escola profissional vem vindo a reforçar a qualidade dos seus cursos e a adaptá-los às necessidades do mercado de trabalho. Em Torres Vedras, a taxa de empregabilidade é de 90%.

“Temos miúdos que chegam aqui com o 6º ou o 9º anos e que sabem claramente o que querem. Depois, temos miúdos com histórias de insucesso e que procuram algo mais prático. Temos casos de insucesso com pais muito perdidos que não sabem o que lhes fazer e procuram uma resposta para os filhos completarem a escolaridade. Temos situações em que os miúdos vêm contrariados e depois acabam por ficar rendidos a esta realidade, começam a estudar e a tirar bons resultados e acabam por se motivar”, justifica a diretora Cristina Botas.

Neste núcleo, a média de aproveitamento situa-se entre os 13 e os 15 valores e o absentismo é de apenas 6%, o que significa que a esmagadora maioria conclui os cursos com sucesso.

A taxa de retenção e desistência é de 9% nos cursos de equivalência ao 9º ano e de 6% no 12º, enquanto a nível nacional é de 5,9% no 9º ano e 33,4% no 12º do ensino profissional e de 17,5% e de 34,6% na generalidade do ensino, segundo o Ministério da Educação.

Em Torres Vedras, 7% dos alunos abandonam os cursos, quando a taxa nacional de abandono escolar precoce é de 17,4%.

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