Andar na Rua: há cinco anos a calcorrear o centro histórico de Torres Vedras
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Quinta-Feira. 21 horas. Cerca de trinta pessoas reuniram-se junto ao Edifício dos Paços do Concelho para andar na rua. “Memórias Urbanas das Linhas” foi o tema que deu o mote à caminhada da última semana, que contou com a colaboração do historiador Carlos Guardado da Silva. Afinal, o projecto “Andar na Rua” celebra cinco anos de existência, ao longo dos quais levou os torreenses a percorrer o centro histórico da sua cidade. “O grupo nasceu no 2º Fórum de Participação do ‘Torres ao Centro’, onde havia várias temáticas sobre o desenvolvimento económico e social” explica Ana Miguel, co-dinamizadora do grupo que se assume como um “ponto de encontro de quem quer passear e conversar pela cidade, um pouco ao acaso, à (re)descoberta do espaço e das suas gentes.”

Estávamos em 2011 e falava-se de algum “receio” em sair à rua após o cair da noite. “O objectivo era pensar o que podíamos fazer pela nossa cidade para combater o abandono e a falta de vida. Uma das ideias era mobilizar as pessoas para virem para a rua conviver e para nos começarmos a conhecer melhor.” É assim todas as semanas. E foi assim que na última Quinta-Feira, entre conversa e estilo descontraído, se arrancava em direcção ao Jardim da Graça, onde se encontra o Obelisco Comemorativo da Guerra Peninsular. “O nosso objectivo é que venha gente que se interesse.” E os interessados aumentam a cada vez que o encontro é especial. As rotas variam todas as semanas e se muitas são lideradas pelos próprios membros do grupo, outras ficam a cargo de professores de História das escolas torreenses.

Andar na Rua: há cinco anos a calcorrear o centro histórico de Torres Vedras
O Obelisco comemorativo da Guerra Peninsular evoca as Linhas de Torres, assim como as batalhas da Roliça, do Vimeiro, do Buçaco.

“Decidimos apresentar esta ideia em plenário e iniciámos na semana seguinte. Contrariamente a todas as outras, tinha a grande vantagem de não precisar de meios, de recursos, de sedes, nem de dinheiro.” A iniciativa havia de arrancar com seis participantes. Aos dias de hoje, a participação estabilizou em cerca de 20 pessoas. Mas esta noite de Outono contava ainda com a participação de um grupo de alunos da Escola Secundária Henriques Nogueira, que se juntaram a este percurso dedicado às Linhas de Torres. É que algumas das pessoas que estão na base deste grupo são professores daquela escola. Parava-se, agora, na Rua Brigadeiro Neves Costa, o homem que delineou a estrutura das Linhas, feito que erradamente se atribui ao Duque de Wellington, como explicou Carlos Guardado da Silva.

“No fundo andamos a ver o que há por aí para poder aproveitar. Quando não há nada de especial, junta-mo-nos e andamos.” Ana Miguel sublinha a dimensão integeracional deste grupo, que permite a troca de experiências e a partilha de histórias. “É muito interessante ver o quanto é importante enquanto espaço de partilha.” A ligação com a comunidade parece ser uma preocupação sempre patente. A dinamização de acções que visam sensibilizar o grupo para as dificuldades dos cidadãos invisuais é disso exemplo, assim como a visita a exposições e a participação noutras iniciativas culturais.

Andar na Rua: há cinco anos a calcorrear o centro histórico de Torres Vedras
Por ocasião do seu quinto aniversário, o Andar na Rua celebrou as “Memórias Urbanas das Linhas”.

Entrava-se para o Museu Leonel Trindade, continuando uma rota que percorreu a história em torno das Linhas. “É um grupo perfeitamente autónomo, sai com quem estiver aqui. Este ritual do dia e da hora é facilitador para a mobilização das pessoas.” O dia seguinte viria a ficar marcado na história do “Andar no Rua”, que recebeu uma Menção Honrosa de Cidadania pela Associação o Direito de Aprender. Já em 2012, o projecto foi considerados uma das sete boas práticas de educação não-formal pela Associação Europeia para a Educação de Adultos. “Não é o importante para nós” explica Ana Miguel, já de regresso ao ponto de partida. Pouco passa das dez horas, mas ainda há tempo para um pequeno balanço com o historiador convidado. O grupo dispersa, de sorriso no rosto, entre as ruas do centro histórico de uma cidade que, assim, ganha mais vida.

Na próxima Quinta, à mesma hora.

 

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Rita Alves dos Santos
Jornalista. Natural de Torres Vedras. Licenciada em Ciências da Cultura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Pós-Graduada em Jornalismo Multiplataforma. Mestranda em Jornalismo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

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