publicidade

*O espaço Autárquicas 2017 é da inteira responsabilidade dos seus autores. O TorresVedrasWeb disponibiliza os seus meios para informação à população do Concelho de Torres Vedras

Rui Matoso, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Torres Vedras, aplaude o plágio no programa eleitoral do PS, relativo às medidas de Política Cultural.

É com alguma estupefacção que vemos inscritas no actual programa eleitoral do PS (Autárquicas 2017) as medidas de política cultural que defendemos há décadas para Torres Vedras, designadamente a necessidade de se começar pela raiz, ou seja pela elaboração de um Plano Estratégico para a Cultura, a criação de um Observatório das Atividades Culturais e de um Gabinete de apoio a projectos culturais.

A surpresa é ainda maior quando as propostas agora apresentadas pelo PS torriense nem sequer correspondem, nem nunca corresponderam, ao discurso do candidato à presidência, Carlos Bernardes, ou do seu antecessor, Carlos Miguel. Por outro lado, também a Vereadora Ana Umbelino, por diversas vezes confrontada com a nossa proposta relativa à urgência de se elaborar em Torres Vedras, de forma participada, uma nova política cultural sustentada na elaboração de um Plano Estratégico para a Cultura, sempre respondeu, menosprezando, que não seria necessário nem pertinente a existência de tal plano.

É portanto com espanto, mas também com enorme satisfação e júbilo, que observamos uma mudança radical de opinião no sentido oposto, ou seja, no sentido do que eu pessoalmente venho, desde há décadas afirmando, nomeadamente quando em 2009, enquanto candidato independente pela CDU, elaborei um manifesto para as políticas culturais, onde estava desde logo tudo esquematizado.

Finalmente, o PS torriense parece ter entendido que a dimensão cultural de uma cidade, e que o ecossistema cultural e criativo, não se resumem àquilo que o executivo municipal vem, de forma discricionária, fomentando como sendo a cultura oficial e a cultura administrada pelo poder político, através do controle e da programação do ciclo anual de eventos que ocupa praticamente todos os meses do ano – a esta imposição estética e cultural chama-se «Violência Simbólica».

Finalmente o partido que se perpetua no executivo municipal há 42 anos, aprendeu a lição da Democracia Cultural, dos Direitos Culturais, do Direito à Cidade e do Direito à Criação Cultural, previsto na Constituição da República Portuguesa? É desta vez que se vai tratar de forma justa e transparente, e em pé de igualdade, todos os cidadãos torriensses que pretendam apresentar ideias e projetos culturais?

Chegou a hora de se entender que a vida cultural dos municípios não pode ser controlada pelos executivos municipais? Que uma política cultural democrática e atenta aos quotidianos e às circunstâncias concretas deve, acima de tudo, compreender a cultura como capacidade activa de cidadania, como conjunto de ferramentas simbólicas que os membros de uma comunidade necessitam para lidar com a realidade complexa do mundo contemporâneo e para elaborar novas estratégias de vida colectiva.

Já estamos elucidados de que a cultura é hoje uma condição e uma necessidade básica da existência humana, das sociedades e das cidades? E que a cultura não é apenas um produto para consumo e entretenimento, e é antes de mais um processo quotidiano de emancipação dos indivíduos e das populações?

Se responderam sim, congratulemo-nos, finalmente, por não ter sido em vão que insistentemente vos avisámos que não era já cedo demais para definirmos política culturais democráticas, sustentadas e participadas. Bem hajam e aleluia!

Se me permitem, aqui ficam no entanto mais algumas sugestões complementares:

A recusa de favorecimentos e relações de clientelismo no apoio a projectos e ideias;

A eliminação de barreiras burocráticas e institucionais;

A eliminação da subserviência ao poder político e o reforço da autonomia e independência dos agentes culturais;

Apoio às artes e culturas alternativas,emergentes, críticas e dissidentes, bem como à liberdade de expressão cultural e ao pensamento crítico e criativo;

A criação de condições de produção cultural e artística aberta a todos de forma democrática e transparente;

A inclusão da ciência e da tecnologia nas políticas e estratégias culturais do município;

Criação de Conselho Municipal de Cultura / Fórum Cultural Municipal;

Criação de uma Rede de Espaços de Criação (ateliers, oficinas, espaços de ensaio, etc.);

Democratização de equipamentos e instituições culturais, promovendo a participação e a colaboração dos agentes culturais de modo transparente e em igualdade;

Promoção regular de debates e sessões de trabalho entre agentes culturais e administração pública, descentralizados nas Juntas de Freguesia;

Facilitar a apropriação de espaços públicos para as “artes de rua”;

Criação de uma estratégia integrada para o desenvolvimento da Economia Cultural e Criativa.

publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.