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Depois das duas eleições nacionais, nos bastidores do Carnaval de Torres Vedras trabalha-se contra o tempo para retratar o país na tradicional sátira dos carros alegóricos, um dos quais transforma o Governo em marioneta do PCP e do BE.

“Os políticos brincam connosco o ano todo e nós nestes dias brincamos com eles”, afirma em ironia Bruno Melo, um dos criativos, que idealizou colocar o atual primeiro-ministro, António Costa, na pele de uma marioneta manipulada pelas figuras de Jerónimo de Sousa (PCP) e por Catarina Martins (BE) e a disparar um canhão do qual são ‘projetados’ Passos Coelho e Paulo Portas, primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro até dezembro.

Enquanto retoca a maquilhagem das caricaturas de Passos e Portas, o criativo conta que este foi o último carro a ser executado por aguardar pelo resultado das eleições legislativas de 04 de outubro e pela tomada de posse do Governo – primeiro o de Passos Coelho e depois o de António Costa.

Por isso, houve “adaptações de última hora” e “o carro acabou por ser bastante alterado face à ideia” inicial, porque, por exemplo, as caricaturas dos dirigentes comunista e bloquistas não estavam previstas na maquete.

Apesar de ser conhecido pela sátira político-social, o Carnaval torriense sensibiliza para a problemática dos refugiados, ao contrastar um paquete luxuoso de um porco milionário com um bote sobrelotado de migrantes, retratados por figuras sem rosto para ilustrar que poderiam ser quaisquer povos do mundo.

Num outro carro, a chanceler alemã, Angela Merkel, prepara-se para soltar os tubarões contra a acrópole dos deuses gregos, que se veem desesperados a afundar, numa alusão às divergências entre o Governo grego e a Comissão Europeia.

Inspirando-se na banda desenhada para outro dos carros, os criativos retratam mediáticos casos da Justiça, com Sócrates, Armando Vara, Duarte Lima e Ricardo Sagrado na pele dos irmãos Dalton, enquanto o Presidente da República, Cavaco Silva, é Lucky Luke, um “xerife mas pouco”, já que “vai dormindo enquanto os casos se passam nas suas barbas”.

O futebol é também representado, um mundo “de euros sem bolas” com os presidentes dos maiores clubes transformados em gangsters dos filmes de Al Capone ou os árbitros em marionetas.

Há cinco meses que mais de meia centena de trabalhadores, repartidos por duas empresas, trabalha com espírito carnavalesco nestes bastidores para executar os carros alegóricos, que saem à rua entre sábado e terça-feira.

Mas o Carnaval, com um orçamento de 600 mil euros, o maior dos últimos seis anos, começa já na sexta com o corso escolar, com mais de oito mil crianças, que se mascaram de acordo com o tema deste ano, “Figuras e Figurões”.

À espera de 350 mil visitantes, a diversão continua até de madrugada pelas ruas e bares da cidade, após o fim dos corsos.

Dada a afluência de turistas, os principais hotéis estão esgotados na cidade e, no resto do concelho, com taxas de ocupação entre os 50% e os 75%, de acordo com dados do Turismo do Centro.

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