Covid-19: Recolha de lixo e convívio de regresso à praia de Santa Cruz em segurança
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Um grupo de dez pessoas juntou-se ontem numa praia de Torres Vedras para recolher lixo e conviver, a primeira ação da Associação Oceanos Sem Plásticos desde o início da pandemia para dar o exemplo de como desconfinar em segurança.

“Não tenho prancha para ir para o mar e esta é uma forma de mexer o corpo, estar entre amigos no areal e contribuir para o planeta”, diz Cláudio Carvalho, um dos participantes.

Pelo areal da praia, o grupo divide-se aos pares, mantendo as distâncias mínimas adequadas e seguindo cada um de máscara no rosto, para ir convivendo sem facilitar nas regras de proteção individual, apesar de se encontrar ao ar livre.

Participante regular das ações de recolha de lixo no areal das praias de Santa Cruz, no distrito de Lisboa, Cláudio Carvalho defende que, estando o país em “estado de desconfinamento”, agora é preciso regressar às “vidas diárias”, adotando novos procedimentos de proteção individual e de distanciamento social que a pandemia da covid-19 veio impor.

“Sou de Santa Cruz, estou habituada a vir à praia sem qualquer tipo de restrições e agora é estranho que só possamos vir para surfar ou para apanhar lixo, que já era antes um motivo, mas agora ainda mais”, diz Sara Santos.

Esta participante assídua nas ações de limpeza do areal durante todo o ano sublinha que não é causa do confinamento “que o lixo não deixa de aparecer e continua a ir para o mar”.

Ainda assim, nota que o areal “está com menos lixo do que o habitual”.

“Como as pessoas estão em casa, não mandam lixo para o chão e os barcos andam menos no mar”, justifica.

“Nesta altura, é um três em um. É fazermos algum desporto, convivermos uns com os outros dentro das regras e fazer alguma coisa pelo planeta, que bem precisa”, reitera Tiago Duarte, presidente da Associação Oceanos Sem Plásticos.

“Já fizemos ações com 70 e 80 pessoas, mas pareceu-nos nesta altura mais sensato fazermos uma ação com um grupo mais restrito”, explica.

Segundo Tiago Duarte, “na quarentena, acumulou-se muito lixo nas praias e a associação quis dar o exemplo retomando a limpeza de praia”, numa altura em que começam a aparecer nos areais máscaras, os novos resíduos em resultado das medidas adotadas por causa do novo coronavírus.

“Agora que a pandemia está a ficar menos ativa, temos de vir para as praias e sensibilizar as pessoas para que não deixem máscaras nas praias e nas ruas e deitem-nas no lixo”, afirma.

A associação quis dar o exemplo de como desconfinar em segurança e lançou o mesmo apelo a mais de meia centena de associações e movimentos ambientais do país para organizarem ações de limpeza nas praias nas suas regiões.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou perto de 312 mil mortos e infetou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro numa cidade do centro da China.

Em Portugal, morreram 1.218 pessoas das 29.036 confirmadas como infetadas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

Imagem: Tiago Petinga

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