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O aumento do consumo da courgette, hortícola quase desconhecida há 15 anos, leva os agricultores a apostarem naquela cultura, contribuindo para o aumento da oferta no mercado nacional e para a redução das importações.

“Nos últimos dez anos, temos assistido a um crescimento do consumo da courgette que anda entre os 10 e os 15% ao ano. Isto é absolutamente brutal, quando comparamos com outros hortícolas. Nestes últimos anos, o crescimento, situa-se entre os 5 e os 8%”, afirmou à agência Lusa Manuel Évora, presidente da Portugal Fresh, associação para a promoção de frutas e legumes.

Para este dirigente, o aumento do consumo está associado às propriedades da courgette, um bom laxante, facilitador da digestão e associada à alimentação saudável, sendo recomendada pelos nutricionistas a quem quer perder peso, substituindo a batata, sobretudo nas sopas – “100 gramas de courgette têm cerca de 16 calorias”.

António Miguel Francisco começou a dedicar-se a esta cultura há dois anos “porque, entre todas as culturas, é a mais fácil de fazer e a menos dispendiosa” e hoje tem cerca de dois hectares em estufa, área que é superior no verão ao fazer a cultura ao ar livre.

Carla Miranda é outro exemplo. Produz courgettes apenas no inverno, período do ano em que “há défice de produção no mercado nacional e os preços compensam”, rondando os 0,80 a 1,20 euros o quilograma, quando no verão baixam para 0,50 euros, por haver mais área de cultivo, ao ar livre, e mais oferta.

Os dados agrícolas anuais do Instituto Nacional de Estatística revelam que a produção de courgettes começou a ter expressão em 2011, ano em que teve uma área de cultivo de 489 hectares e uma produção de cerca de 19 mil toneladas. Em 2013 chegou a atingir as 20 mil toneladas, mas em 2014 baixou para cerca de 18 mil, apesar de ter chegado aos 615 hectares de cultivo.

Os agricultores responderam de tal modo às necessidades de consumo que inverteram a balança comercial. Em 2014 “exportámos 11.800 toneladas e apenas importámos 8.000”, sublinhou Manuel Évora.

Por isso, é uma produção com “potencial de crescimento”. Por um lado, no inverno ainda não chega para satisfazer as necessidades de consumo do país e é importada. Por outro, a exportação acontece apenas no verão, quando há excesso de oferta em Portugal e pode aumentar face às necessidades de consumo também nos mercados externos.

A região Oeste é a maior produtora a nível nacional, com um rendimento anual de cerca de cinco milhões de euros e cerca de 10 mil toneladas para venda em fresco, seguindo-se o Ribatejo, onde a produção se destina à indústria.

O Oeste “tem um microclima muito específico, com clima ameno praticamente todo o ano”, explicou Carla Miranda, que pertence também à direção da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste, para justificar que a região consegue produzir courgette todo o ano.

O inverno “sem muito frio e sem grande ocorrência de geadas” favorece o desenvolvimento da cultura em estufas, sem terem de ser aquecidas. Já o verão, ao não atingir elevadas temperaturas e ter “neblinas e manhãs amenas”, permite aos agricultores produzir courgette ao ar livre.

Pelo clima favorável, os agricultores no Oeste têm vindo a apostar na courgette em detrimento de outras culturas, como a alface, cujos “preços têm vindo a baixar”.

Entre agosto de 2014 e o mês homólogo de 2015, o setor das frutas e legumes aumentou em 14% as exportações, passando de um volume de negócios de 1.120 milhões para 1.250 milhões de euros, de acordo com a Portugal Fresh.

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