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Desde o Campeonato Mundial de Futebol que decorreu no Brasil, em 2014, que as Diabólicas têm corrido o mundo. David dos Santos, o jovem criador destas pequenas buzinas de ar, esteve à conversa com o Torres Vedras Web. E confessa que “a primeira ideia era para o futebol” com os adeptos belgas a torcerem pelos Diabos Vermelhos – nome por que é popularmente reconhecida a selecção da Bélgica – de Diabólica em riste. Mais cedo que tarde, David e o seu sócio, Fabio Lavalle, viriam a perceber que o projecto ainda tinha muito para dar.

“Estamos muito fortes no basquetebol, no râguebi, no hóquei no gelo, também nas manifestações.” Hoje, a Diabólica está presente nas mais diversas modalidades desportivas e até mesmo em protestos um pouco por todo o mundo. E David não tem dúvidas que uma das razões para o sucesso é o aspecto ecológico, uma vez que o objectivo passa por substituir todas as buzinas de gás do mundo. E não fica por aqui. “Estamos a tentar evoluir e a fazer estudos para que o plástico utilizado seja 100% biodegradável” avança.

“Os adeptos do ciclismo usavam muitas buzinas de gás, ainda por cima num desporto ligado à natureza” lembra, para contar que este ano a Diabólica vai ser um produto oficial da Volta a Portugal. Porque, tal como noutros países do sul da Europa, o ciclismo reúne adeptos nas estradas do país, todos os Verões, para assistir in loco à prova. “Fazia todo o sentido, e a organização adorou a ideia.” Por isso, entre 27 de Julho e 7 de Agosto, vamos ver estas pequenas buzinas de ar em amarelo, para o camisola amarela, e em verde, azul e vermelho para os adeptos dos clubes em competição. Tudo faz prever que o mesmo aconteça este ano em Itália, no mítico Giro. E não se pense que só de ciclismo se pinta o futuro deste projecto… O Mundial de Futebol do Qatar, agendado para 2022, vai contar com a presença da criação luso-belga.

Do desporto para os holofotes da política, também a campanha de um dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos vai contar com o som inconfundível das Diabólicas. O nome do candidato ainda está no segredo dos deuses, por isso resta-nos aguardar e imaginar se será Hillary Clinton ou Donald Trump (em caso de não haver nenhuma surpresa) o candidato em voga. “Estamos a acabar os contratos. Temos um distribuidor na América que está a ter um grande sucesso. É um mercado mil vezes maior que a Europa, e a Diabólica está a ter um enorme sucesso devido ao aspecto ecológico.”

Com um projecto na área da hotelaria que o trouxe para a Areia Branca, na Lourinhã, David dos Santos ouviu muitas coisas sobre o Carnaval de Torres Vedras, que logo fizeram disparar o turbilhão de ideias que parecem nunca parar de surgir na sua cabeça. “Quando soube que havia 300 mil pessoas [no Carnaval], disse: temos de encontrar uma maneira de mostrar que somos de Torres, que estamos presentes e que gostamos de festejar.” Daí até entrar em contacto com a organização foi um pequeno passo, que viria a dar origem à Matrafónica, a pequena buzina de ar, cor-de-rosa, que invadiu as ruas torrienses no Carnaval do ano passado.

Diabólica: a buzina luso-belga que está no futebol, no ciclismo e nas Presidenciais dos Estados Unidos
Este foi o segundo ano em que a Matrafónica, uma adaptação da Diabólica, esteve presente no Carnaval mais português de Portugal. Foto: David dos Santos

O jovem empreendedor ganhou o prémio de cidadão do ano da região centro da Bélgica, em 2013. Uma distinção que foi atribuída “sem saberem que eu era português” e que vê como “uma chapada de luva branca” aos que, enquanto estudava nas escolas belgas, o chamavam de “filho de escravo” uma vez que os pais eram emigrantes portugueses. Um ano depois, a Diabólica fazia com arrecadasse o Prémio de Melhor Empresa da Bélgica. No entanto, David confessa. “Os prémios não me trazem nada”, garantindo que, para o futuro, “a ideia é continuar com uma firma familiar, ajudar o meu país e fazer trabalhar só portugueses. Quero continuar esse caminho.”

“Quero, como o Cristiano Ronaldo, mostrar que tudo é possível.” A referência a um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos – podemos mesmo escrever, de sempre – surge para contar que há quem, muitas vezes, os compare. A determinação, o trabalho e, consequentemente, o sucesso, podem explicar a comparação entre os dois jovens portugueses que vingaram. “Hoje em dia quando visito qualquer país do mundo por causa da aventura da Diabólica, associam-me ao Cristiano. Portugal era desconhecido em muitos países, mas as pessoas conhecem-no.”

David dos Santos acredita que “todos podem conseguir algo” e, por isso, não compreende o porquê de os portugueses “se esconderem atrás de uma pessoa que possa mudar as coisas.” Reconhece que “toda a gente tem uma coisa positiva em si” e vê inúmeras qualidades no país que voltou a abraçar. “O povo português tem tudo, como o bom Oceano, por exemplo.” E vai mais longe. “Fomos nós que descobrimos o mundo. Ninguém se mandava ao Oceano e os nossos ascendentes fizeram-no por nós. Não se podem esquecer dessa história.”

“Se toda a gente pensar que tudo é possível, o espírito pode mudar” defende, entre um entusiasmo que não consegue esconder sobre os seus projectos, sobre a região Oeste e sobre Portugal. No fundo, sobre a vida. “É um grande orgulho encontrar este produto metade português e metade belga pelo mundo, e ver que os portugueses acreditam cada vez mais nele.”

 

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