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É compositor, maestro, arranjador e vocalista. Nasceu em Beirute, capital do Líbano, em plena Ásia Ocidental. Elias Lammam é um dos melhores acordeonistas do mundo e a organização do Festival Internacional de Acordeão de Torres Vedras lembra como é ainda considerado o melhor acordeonista microtonal da sua geração. “Venho de um país árabe e é muito semelhante” diz ao Torres Vedras Web sobre a terra onde actua já esta noite no âmbito das Festas da Cidade. “Os hábitos, a comida maravilhosa e até o clima” são algumas das características que evidencia, para concluir: “sinto -me em casa!”

Radicado nos Estados Unidos, onde lecciona na Universidade de Berkeley, Lammam lembra que o acordeão “ganhou má reputação ao longo dos últimos” e que, por isso, valoriza países como Portugal, em que o instrumento continua culturalmente enraizado. “Tento manter este instrumento vivo. É muito sensível e é o único que carregamos, abraçamos e tocamos. É por isso que sentimos que o acordeão se torna parte do nosso corpo” explica, enquanto demonstra, em cada palavra, a paixão que sente pelo mundo da música.

“Gostei muito que me convidassem para vir aqui.” Foram 18 horas de voo para que o músico atravessasse o Atlântico, rumo à cidade torreense que hoje se senta para assistir a um espectáculo único. “Vão ouvir o acordeão de um modo diferente.” Isto porque, explica, “o acordeão árabe combina todos os tipos de música: vão ouvir tangos, valsas, jazz e algumas melodias que nunca ouviram antes.” Também a improvisação, que marca vincadamente a música árabe, parece prometer uma autêntica viagem intercultural ao público do Oeste. “Vão ouvir uma combinação de géneros musicais completamente diferentes” diz, para logo depois assegurar. “Vão gostar do que vão ouvir. É cheio de alma.” Além do concerto desta noite, o consagrado acordeonista actua amanhã no Hotel Golf Mar, em Porto Novo, inserido nas Merendas do Acordeão.

Elias Lammam em Torres Vedras: o acordeonista libanês que se sente “em casa”
Elias Lammam está em Torres Vedras para participar no Festival Internacional de Acordeão.

Música e emoção: um casamento perfeito

A paixão pelo acordeão começou aos oito anos. Seguiram-se 13 dedicados ao estudo daquele instrumento e ainda do piano, que o levariam a descobrir que “estava mais apaixonado pela música árabe do que pela clássica.” Daí até se dedicar ao acordeão microtonal bastou um pequeno passo. “O mesmo pitch pode originar mais do que um som” diz, para explicar as diferenças entre o acordeão que conhecemos e o que nos apresenta. É que se no Ocidente existem duas escalas – a maior e a menor -, a música árabe tem mais de 740 microtons. É a diferença entre os acordeões que faz com que tenha “mais escalas, mais intervalos e microtons totalmente diferentes.”

Um estilo que caracteriza como tendo “mais de melodia do que de harmonia” uma vez que consegue expressar qualquer sentimento. “Temos escalas específicas para quando se está triste, outras para quando se está feliz ou curioso.” Aprender a tocar um instrumento como este requer, por isso, bastante dedicação. E alunos de qualquer parte do mundo é o que não falta a Elias Lammam, que além de leccionar teoria e prática de música clássica e contemporânea árabe na academia, ainda dá aulas via Skype a alunos de países como Holanda, Alemanha ou França.

“Tenho o primeiro acordeão Armando Bugari feito para a música árabe” conta, referindo-se à conceituada marca italiana. “Ao longo dos anos, a música perdeu influência em todo o mundo, especialmente com a tecnologia que hoje temos.” O artista salvaguarda que gosta de tecnologia quando é usada “de forma correcta” e lembra. “Não somos robôs, continuamos a ser músicos.” Por isso mesmo, sublinha, “é muito importante ter sentimento. Se olharmos em redor, tudo é música. Ontem, o meu quarto era sob o oceano e eu dormi ao som das ondas. Senti-me como se estivesse no paraíso.” A ênfase nas emoções e sensações é permanente. “As árvores, a água, os pássaros, o vento… tudo é repleto de som.”

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