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As palavras que raramente são ditas quando temos oportunidade para tal, as imagens que nos invadem em momentos como este, de perda, de ausência, de um vazio que quase nos trás um sentimento de culpa por algo que ficou por dizer, fazer, sorrir, sentir, abraçar…

Ontem foi o Seu último dia Senhor Renato Valente, o dia da lágrima que caiu repentinamente, da homenagem interior silenciosa, sentida, das palavras de conforto atravessadas na garganta, das recordações, das histórias que todos nós Torrienses, temos sobre Si para contar, por várias gerações garantidamente, mas ontem foi também o primeiro dia da Saudade!!!

Conheci-o há pouco mais de 30 anos, era eu um puto armado em reguila que percorria a zona da Conde Tarouca, antiga Garage Atlântica e “Escola do Mineiro”, tudo paredes meias com a Farmácia Santa Cruz, e já ouvia falar de Si. Um Senhor alentejano que escolheu Torres Vedras para ser feliz, e Foi sem dúvida muito feliz, com os Grandes Amigos que Consigo partilharam uma Vida repleta de conquistas, de sonhos realizados, mas muito feliz acima de tudo, e acredito eu essencialmente, porque fez muitos Torrienses felizes! E isso dava-lhe um gozo bestial!

Não deve haver Associação do nosso Concelho onde não haja um pedacinho de Si, tal era a Sua boa vontade em ajudar, em tornar possível, em acreditar que gente que pede ajuda para melhorar a vida da sua comunidade, merece ser ajudada, e esses que Lhe foram gratos nesses momentos serão para toda a Vida.

Escrever sobre Si é muito mais fácil que escrever para Si – mas ficou tanto para Lhe dizer, tanto para agradecer, tanto para viver, tanto para pedir desculpa… sim desculpa por nem sempre me mostrar tão disponível como para mim sempre Foi, desculpa por nem sempre “lutar” ao Seu lado quando nos últimos tempos era Sozinho que “lutava”, desculpa por não ter almoçado Consigo tantas vezes quantas agora desejaria!

A nossa primeira ligação foi com o Festival das Vindimas, recordo aquele dia, num ensaio nos Bombeiros Voluntários, a convite da então comissão iria apresentar a final, e o Meu bom amigo preocupado comigo, com toda a Sua experiência e sabedoria deu-me uma das melhores aulas de comunicação da minha Vida. Ensinamentos que jamais esqueci, que já também transmiti e que me ajudaram na vida que escolhi.

Levou-me a ver o Carnaval de Torres na sua essência, com uma visão única, singular, muito Sua, por vezes incompreendida, porque tinha o Dom de visualizar tudo aquilo que pretendia executar, muito antes de se realizar.

Renato Valente
Partilhamos a ingenuidade mais pura de acreditar que o Nosso Carnaval é feito pelas pessoas, por todos os Torrienses, que todos nós sentimos a festa, e que não há festa como esta, que cresce cá dentro e que toma conta de nós, e sim tomou conta de Si, desde o dia em que aqui chegou! Obrigado pelo Carnaval que nos deu!

Senhor Renato Valente, você é Carnaval, é Festival das Vindimas, é Sport Clube União Torreense, é Clube de Futebol os Paulenses, é Sporting Clube de Torres, é outras tantas associações do nosso concelho, mas também é TORRES VEDRAS!

No Paúl está a ser construída a Pista de Atletismo, merece ter o Seu nome, afinal na última década o Clube de Futebol “os Paulenses” cresceu pelas direções que tem tido, mas todas têm contado Consigo. Não sei se será possível…mas é merecido! Irei apresentar essa proposta, conte comigo!

Falámos pela última vez ao telefone há um mês e pouco… foi rápido… “Sérgio, está tudo bem? Olha lá, ouvi dizer que vais sair da Promotorres? Não queres ir almoçar?”

Não chegámos a almoçar… mas sim meu Amigo, está tudo bem! Tenho saudades Suas!

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1 COMENTÁRIO

  1. Ao Sérgio Lopes e a todos os que com ele privaram
    Comigo passou-se o mesmo, mas 20 anos mais cedo. Conheci o Sr. Valente ainda era criança, ele veio de Évora em 1954 para trabalhar em Torres Vedras, na Farmácia Torreense e poucos anos depois eu era visita assídua dessa farmácia que, por ironia do destino, ia comprar vitaminas e medicamentos para abrir o apetite, era um lingrinhas e, quem me atendia era Sr. Valente com a sua paciência mesmo ainda jovem, 25 anos talvez, aos 10 anos comecei no Carnaval com ele e o Zé Ramos, eu no sector de som com a Robbialac, veio entretanto o Baile da Chita, do velhinho operário onde durante anos trabalhamos em conjunto, digo trabalhamos porque nesse tempo era o pessoal da organização que fazia tudo, até pôr dinheiro para as despesas, mais tarde depois do 25 de Abril ainda reiniciámos com mais alguns a Feira de São Pedro na porta da Várzea, nos moldes em que a foste agarrar. O primeiro catálogo da Feira, feito na Sociedade Gráfica Torreense, mais tarde Sogratol, ainda nas instalações junto ao ex-café Adélia. Desta feira deve ter gravado em audio os discursos do Secretário Geral, Francisco Jerónimo. Também iniciámos o Festival das Vindimas com a 1ª edição numa Garagem por acabar, na praceta das Forças Armadas. Rallies trapalhões, idas a Lisboa promover o Carnaval na RTP no programa Domingo à Noite com o Henrique Mendes e a Glória de Matos, etc…. fizemos de tudo, sempre os mesmos, perdoem-me os que aqui não referi, e são uma vintena…e em tudo o que me metia, como por exemplo o CCTV e o CAT Renascer o meu amigo de longa data, estava a apoiar. Ontem quando soube estive mais de meia hora a chorar, quase como um filho quando lhe falece o pai…ainda não estou refeito…da noticia…queria que ele fosse imortal…O Povo deve-lhe muito…O Município deve de prestar homenagem ao Homem simples que em 1954 deixou Évora, onde os seus familiares tinham uma espingardaria junto da Praça do Geraldo, para vir ajudar a crescer a sua terra do coração – Torres Vedras. Até sempre Amigo Renato Fernandes Valente. Para a esposa e para a filha Ana desejo-lhes muita força neste momento.

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