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Torres Vedras tem três centenas e meia de cidadãos de etnia cigana, dos quais quase 50% são analfabetos ou têm apenas o primeiro ciclo de escolaridade, conclui um diagnóstico social desta comunidade hoje divulgado.

O Estudo de Diagnóstico da Comunidade Cigana de Torres Vedras foi efetuado por técnicos do município, cujo presidente da câmara é de etnia cigana, e do projeto internacional Romed e vai dar origem a um plano de intervenção direcionado a esta comunidade do concelho.

De acordo com o documento, apresentado no encontro “Viver o Romed”, 13,3% dos ciganos do concelho não sabe ler nem escrever, 34% tem apenas o primeiro ciclo completo, 12% tem habilitações até ao segundo ciclo e 7% concluiu o ensino secundário.

Os inquéritos efetuados apontam como principal causa do abandono escolar as suas tradições culturais.

Os dados indicam que 44% gostavam de retomar os seus estudos, ao contrário de 37%.

Dos 350 cidadãos de etnia cigana que vivem no concelho (de um total de 40 mil a 60 mil residentes em Portugal), 54% são homens, refere o estudo, que identificou 69 crianças.

A maioria desta população nasceu no concelho (50%) e 33% tem entre 16 e 24 anos, enquanto 18,9% tem entre 25 e 34 anos e 18,9% está entre os 34 e os 44 anos.

De acordo com o estudo, 87% da população está desempregada (48% está à procura do primeiro emprego e 23% está desempregado há mais de três anos). Contudo, 40% dedica-se à venda ambulante, apesar de a atividade não estar legalizada.

A maioria (78%) vive com rendimentos até aos 500 euros mensais.

Apenas 11 pessoas vivem dos rendimentos do seu trabalho, enquanto 37 vive do Rendimento Social de Inserção, 45 dos abonos e 43 de pequenos biscates laborais.

Os agregados familiares são compostos por cinco ou seis elementos (30%), quatro (27,8%), três (20%) ou apenas dois (10%). A maioria dos casais tem dois ou três filhos.

A maioria das famílias vive em fogos de habitação familiar, sobretudo apartamentos (54%), com as condições básicas.

Questionados sobre a frequência do ensino pelas mulheres ciganas, 16% dos inquiridos, dos quais 90% são homens, disse não concordar e 60% concorda.

O Projeto Romed, promovido pelo Conselho da Europa e pela União Europeia, tem como objetivo assegurar a equidade da mediação entre as comunidades ciganas e as instituições, promovendo a mudança através da participação democrática da população. Em Torres Vedras, já foi criado um grupo de intervenção comunitária.

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