“O Acesso à Saúde: O Estado dos Serviços Públicos” é o tema que dá o mote ao “Fórum da Saúde: Torres Vedras”. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Torres Vedras, vai contar com duas sessões, que decorrem nos dias 11 e 18 de Fevereiro nos Paços do Concelho. “Percebemos, com os dados que as nossas equipas técnicas têm vindo a desenvolver, que deveríamos fazer algo com mais profundidade, envolvendo os profissionais de saúde e a nossa comunidade” afirmou Carlos Bernardes, Presidente da Câmara, na apresentação do Fórum que há dois meses que se encontra a ser preparado.

Segundo Ana Umbelino, vereadora do desenvolvimento social, o objectivo passa por “efectuar um retrato que seja o mais plural possível” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no concelho. Para isso, a comunidade, os profissionais de saúde e as entidades ligadas ao sector são chamados a dar o seu contributo num modelo aberto, para que “todos juntos possamos encontrar sinergias para a melhoria dos serviços públicos de saúde no nosso concelho e na nossa cidade.” Um “cruzamento de visões, de sentimentos, de vivências e de experiências” que visa discutir o “estado da arte” do SNS e que, para isso, conta com a participação da população. Porque, segundo Ana Umbelino, “os maiores especialistas destes território são as pessoas que aqui vivem.”

“Traçar uma agenda de prioridades de intervenção no presente e também um exercício prospectivo em relação ao futuro” é a máxima com que a Autarquia parte para este encontro, de onde sairá um documento que será entregue ao Ministro da Saúde, “para que de facto se possam tomar as medidas que se entendem convenientes.” Isto porque, garante a vereadora, “a Câmara surge como facilitador e activador no sentido de desconstruir os problemas que neste momento existem. As pessoas manifestam preocupações, mau-estar relativamente à acessibilidade aos cuidados de saúde, à qualidade e à diferenciação desses cuidados. Cumpre-nos a nós criar contextos e enquadramentos que tornem evidentes quais é que são os problemas e as suas causas.”

CHO e falta de médicos de família no topo das preocupações

O acesso à saúde, o estado do edificado da unidade de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) e a falta de médicos de família em algumas extensões do ACES têm sido preocupações que “reiteradamente têm sido expressas”, avançou Ana Umbelino. “Daí considerarmos que nos compete dar eco a estas preocupações da população e procurar, numa lógica de co-responsabilização, encontrar soluções partilhadas.” Apesar da Câmara Municipal não ter competências específicas na área da saúde, a vereadora sublinhou que “esta é uma dimensão importante na óptica da gestão integrada do território porque afecta a qualidade de vida dos cidadãos.”

Fórum discute preocupações dos torrienses sobre o Serviço Nacional de Saúde
Carlos Bernardes e Ana Umbelino apresentaram, esta Segunda-Feira, o Fórum de Saúde.

Após a iniciativa, Carlos Bernardes espera que “possamos estar munidos de um conjunto de informação que possa ser sistematizada e trabalhada com o objectivo final de termos bons serviços de saúde no território.” Uma qualidade dos serviços que, segundo o autarca, está intimamente relacionada com as infraestruturas da saúde “com a dignidade que merecem” e com os recursos humanos. O autarca lançou duras críticas ao Hospital de Torres Vedras, falando em “situações que não são as mínimas admissíveis para a prática da actividade de saúde” e lembrando que “de há uns anos a esta parte não tem havido o investimento de um cêntimo naquilo que é o edificado”.

A primeira sessão do Fórum da Saúde será dedicada, precisamente, à unidade de Torres Vedras do CHO, com o objectivo de discutir, em torno de balanço, “os ganhos e as perdas que decorreram desta fusão” entre as unidades torriense e caldense. A inadequação do serviço de urgência, a falta de médicos nas diversas especialidades, a necessidade de renovação das infraestruturas, a manutenção do internamento pediátrico e a vontade de reabertura da maternidade foram alguns dos problemas mais apontados num inquérito online feito à população. O levantamento juntou-se às opiniões de diversos actores do meio da saúde, que deram forma ao Diagnóstico de Desenvolvimento Social e de Saúde 2017-2021, assim como à discussão da 1ª sessão participativa da Agenda 2030.

Quanto aos cuidados de saúde primários, que vão estar em destaque na segunda sessão, Ana Umbelino sublinha que “os cidadãos encontram-se preocupados com a falta de médicos de família nas unidades do Centro de Saúde nas várias freguesias do concelho, o que se repercute numa assimetria territorial no que diz respeito à saúde.” O objectivo passa por abordar a falta de médicos de família e o tempo de espera das consultas, tendo no horizonte a perspectiva de solucionar estas situações. A ideia passa por “centrar-mo-nos nos problemas e em como é que eles podem ser resolvidos.”

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here