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Glaucoma – A Doença Silenciosa

Enquanto Profissional dos Cuidados Primários de Saúde Visual, no exercício das minhas funções, encontro vários pacientes com diferentes patologias. Uma das funções que me assiste é encaminhar esses pacientes para a especialidade médica mais adequada.

Para além dessa função, outra igualmente importante é a sensibilização para a Prevenção e para o Rastreio.

É nesse sentido que abro aqui um novo capítulo nesta coluna. O objetivo será sensibilizar para a realidade de algumas doenças e a importância da Prevenção e do Rastreio.

O Glaucoma é, felizmente, uma doença ocular pouco comum, normalmente apenas conhecida de quem dela padece e dos familiares mais próximos.

Por outro lado, senão detetada a tempo, é extremamente incapacitante e de prognóstico reservado.

De uma forma simples, trata-se de uma doença do nervo ótico, consequência de Tensão Ocular Alta. Na sua forma mais comum, o Glaucoma Crónico é uma doença assintomática (sem sintomas) até um desenvolvimento já significativo da mesma.

Neste estágio mais avançado da doença os sintomas mais comuns são o surgimento de manchas escuras no campo visão, diminuição do campo de visão, olho vermelho ou mesmo dor. É para não chegarmos aqui que temos que estar especialmente atentos.

Outro aspeto desta doença, particularmente na sua forma mais comum, é que ela não é consequência de nenhum agente externo, como vírus, bactéria ou fungo, mas resulta sim de um desequilíbrio no funcionamento de diferentes partes do olho.

Por tudo isto, é fundamental a Prevenção, leia-se aqui o Rastreio. Sabemos da maior prevalência da doença na meia-idade, nos diabéticos e nos familiares daqueles que já padecem da doença.
Hoje é cada vez mais comum a oferta da medição da Tensão Ocular. É o primeiro fator a ser despistado. Se alta, o seu resultado não é suficiente para elaborar um diagnóstico mas suficiente para encaminhar para oftalmologia.

Não confundir com tensão arterial. Mais uma vez simplificando, o nosso olho é como um balão, em que numa das suas áreas contem um líquido. Para que o equilíbrio do olho se mantenha e não se desenvolva o Glaucoma, os valores da tensão ocular devem estar entre um intervalo convencionado.

Outro aspeto importante é, após o diagnóstico e a decisão sobre o tratamento, o controlo dos valores da tensão ocular. Esse controlo deve ser feito com a periodicidade necessária, decidida pelo especialista que acompanha o paciente, e proporcionada também pelos Profissionais dos Cuidados Primários de Saúde Visual.

Normalmente é apresentada uma brochura ao paciente onde são registadas não só as medições e as datas das mesmas, mas também a hora, porque sabe-se que a Tensão Ocular pode variar ao longo do dia e tal deve ser também anotado.

Eu e os meus colegas somos visitados por inúmeros pacientes com Glaucoma, medindo a tensão ocular sempre que nos solicitam, proporcionado a estes e aos profissionais que os acompanham a melhor informação para o controlo da doença.

Também, conhecendo os Grupos de Risco, propomos e medimos a Tensão Ocular àqueles neles incluídos, contribuindo para um diagnóstico precoce.

Para além dos espaços habituais, a medição da tensão ocular é cada vez mais comum em eventos ligados à Saúde em Geral, a par, por exemplo, da mediação da tensão arterial ou dos níveis de glicose. Aproveite essas oportunidades.

O Glaucoma não tem cura, é muitas vezes uma doença silenciosa e de consequências graves.

A boa notícia é que pode ser despistada de forma fácil, através da mediação da Tensão Ocular e tratada por forma a evitar o surgimento dos seus sintomas mais graves. Informe-se sobre a doença, faça os Rastreios, pergunte por ela quando visitar um Profissional dos Cuidados de Saúde Visual.

Estamos aqui para o ajudar. Previna-se.

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