Há menos 612 mil utentes sem médico mas será impossível até ao final do ano garantir 100%.

A intenção foi várias vezes reiterada por Paulo Macedo: até ao final da legislatura, todos os portugueses teriam médico de família. Em quatro anos, limparam-se as listas – que continham utentes repetidos, que não usam o SNS ou até já mortos – aumentaram-se as vagas no internato, abriram concursos e as listas dos médico cresceram de 1500 para 1900 pessoas. Mas as reformas antecipadas diluíram os resultados. Em relação a 2011, há menos 612 mil utentes sem médico mas o governo já admitiu que vai ser impossível cumprir a promessa em todo o país. O melhor resultado, disse na semana passada Paulo Macedo, será na região Norte, onde aponta para uma cobertura de 98%.

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Médico de Família e repetem-se as preocupações dos especialistas. Rui Nogueira, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), defende que estes profissionais são essenciais para fazer prevenção mas também para identificar os efeitos da crises. “As pessoas têm hoje mais dificuldades em viver, até mesmo em vir à consulta, porque têm de pagar transportes, comprar alguns medicamentos ou fazer alguns exames complementares. As pessoas têm mais dificuldades e vivem com mais tristeza. As depressões são mais frequentes”, afirmou ainda não há incentivos Segundo os dados compilados pelo i, em 2011 atingiu-se o pico de utentes sem médico de família, no total 1 846 016. Em Maio, revela a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), havia 1 233 236 utentes sem médico atribuído, 12,1% do total.

Desde Fevereiro foram atribuídos médicos a mais 7 mil utentes. Por outro lado, aumentou ligeiramente o número de utentes sem médico por opção, actualmente 29 258 pessoas.

Não é possível perceber como evoluiu o número de utentes que prescindem do médico ao longo da crise já que antigamente este indicador não era monitorizado. Recorde-se que actualmente as pessoas que não contactam com o seu médico por três anos recebem uma carta a perguntar se desejam mantê-lo. Se não responderem são excluídas da lista. Podem também dizer que não pretendem ter médico e a vaga que ocupavam é entregue a outro.

Uma medida prevista no Orçamento do Estado para este ano era a atribuição de incentivos financeiros para os médicos se fixarem em zonas com mais lacunas. O valor destes incentivos foi divulgado em Abril: 21 mil euros ao longo de cinco anos. Quase terminado o primeiro semestre, o diploma que deverá oficializar estes incentivos e o despacho a definir as zonas carenciadas ainda não foram publicados, pelo que não há médicos neste regime, informou ao i a ACSS.

Os centros de saúde com mais utentes sem médico estão no Algarve e em Lisboa. O recorde é no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Barlavento, que engloba Aljezur, Portimão, Vila do Bispo, Lagoa, Lagos, Silves e Monchique: metade dos utentes não têm médico. Já nos ACES Sintra, Oeste Sul (Cadaval, Sobral de Monte Agraço, Mafra, Lourinhã e Torres Vedras) e Estuário do Tejo (Alhandra, Benavente, Vialonga ou Póvoa de Santa Iria) três em cada dez utentes não têm médico.

Fonte: Jornali – Marta F. Reis

publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here