O Tribunal da Comarca Lisboa Norte declarou insolvência à Sociedade Têxtil da Assenta, fabricante das ‘camisas d’assenta’, cujas 70 trabalhadoras estão em risco de despedimento, de acordo com a sentença, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

A empresa possui um “passivo manifestamente superior ao seu ativo e não tem capacidade económica e financeira para cumprir as suas obrigações e pagar as suas dívidas”, conclui o tribunal na sentença de declaração de insolvência datada de 01 de julho, a que a Lusa teve acesso.

A indústria atravessa dificuldades desde pelo menos janeiro de 2013, altura em que avançou para tribunal com um Processo de Especial Revitalização, no âmbito do qual foi aprovado um plano de recuperação.

Volvidos dois anos, decidiu pedir insolvência no final de março deste ano, uma vez que, apesar de ter reduzido os custos, “não aumentou o volume de faturação”, por isso continua sem conseguir cumprir o plano, refere o requerimento, a que a Lusa teve acesso.

A empresa admite que “tem vindo a ultrapassar graves dificuldades económicas e financeiras, que a impedem de cumprir pontualmente as suas obrigações, nomeadamente com fornecedores, trabalhadores e a banca”.

Possui um passivo de 4,4 milhões de euros, “manifestamente superior ao seu ativo”, devido a dívidas que não consegue pagar “com fornecedores, trabalhadores e banca”.

A situação financeira é justificada com a “grave crise que afeta todo o setor dos têxteis”.

O fabricante emprega 70 trabalhadores, que não têm salários em atraso, mas que correm o risco de despedimento se a continuidade da empresa não for garantida. Para o efeito, pediu insolvência no sentido de vir a ser delineado um plano de recuperação no âmbito do processo de insolvência.

A requerente acredita que a sua continuidade “é economicamente viável, porque tem uma boa carteira de clientes”. Contudo, por estar debilitada em termos financeiros, “não tem disponibilidade de tesouraria para custear a aquisição de matéria-prima, nem para pagar os custos de mão-de-obra, de forma a poder aceitar e cumprir encomendas.”

O Tribunal da Comarca Lisboa Norte nomeou para administrador de insolvência Artur Bruno Vicente e fixou um prazo de 30 dias, a contar desde o dia 01, para os eventuais credores virem reclamar os seus créditos.

A assembleia de credores está marcada para 08 de setembro, no Tribunal de Loures, onde funciona de modo temporário a secção de comércio de Vila Franca de Xira, a que pertencem os processos oriundos do concelho de Torres Vedras.

A Sociedade Têxtil da Assenta, com 30 anos, exporta 60% da sua produção sobretudo para o Brasil, Angola, Moçambique, África do Sul, Bélgica, França, Inglaterra, Islândia e Suíça.

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