Mais de 200 investigadores em simpósio mundial sobre produtos marinhos em Peniche
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 Mais de duas centenas de investigadores de todo o mundo participam em Peniche no XVI Simpósio Internacional de Produtos Naturais Marinhos e no XI Congresso Europeu de Produtos Naturais Marinhos, entre domingo e 05 de setembro.

Rui Pedrosa, presidente do Instituto Politécnico de Leiria, que organiza os dois encontros, disse à agência Lusa que a instituição recebeu cerca de 250 inscrições, 80% das quais internacionais, oriundas dos cinco continentes, de 35 países, de investigadores, docentes universitários, empresários e membros de farmacêuticas.

O programa inclui 36 comunicações orais e quase 200 comunicações escritas, aliando os ‘gurus’ da ciência a jovens investigadores em ascensão, para falar sobre biossíntese, química medicinal, biologia e biotecnologia química, descoberta e desenvolvimento de medicamentos a partir dos recursos marinhos e ecologia química marinha.

“Além de apresentar históricas de sucesso, o congresso vai apresentar descobertas de novos compostos, que podem a vir a ser usados em novos fármacos ou coadjuvantes de fármacos, assim como em produtos cosméticos”, explicou Rui Pedrosa.

Para o investigador, “a percentagem de sucesso de moléculas extraídas de organismos marinhos é mais elevada do que as existentes em organismos terrestres”.

«Quando pensamos no elevado potencial do oceano e dos seus recursos naturais no âmbito da biotecnologia dos recursos marinhos, conhecida por “blue economy”, os produtos naturais marinhos são, muito provavelmente, uma das maiores oportunidades para gerar valor económico e soluções para vários problemas nomeadamente na área da saúde”, acrescentou.

Entre as principais comunicações está a do investigador norte-americano William Fenical, que vai falar das relações entre a química e a biologia na descoberta de compostos extraídos de plantas marinhas e que poderão ser alargados a outras plantas e a animais marinhos invertebrados.

O grego Vassilios Roussis levará ao congresso conhecimento sobre propriedades existentes em recursos marinhos que podem vir a ter aplicações biomédicas, quer no fabrico de medicamentos, quer na engenharia de tecidos.

O alemão Peter Schupp vai explicar que as mais de 8.500 espécies de esponjas do mar conhecidas são responsáveis pela produção de uma enorme diversidade de compostos, com capacidade antimicrobiana que pode vir a ser usada na produção de medicamentos.

O espanhol José Maria Fernández vai falar sobre o fármaco “aplidin”, que está há um ano no mercado e foi produzido pela farmacêutica Pharmamar a partir de recursos marinhos para combater o mieloma, cancro associado a células do sangue encontradas na medula óssea e no sistema imunológico, responsável por 130 mil casos de cancro e 100 mil mortes por ano em todo o mundo.

O australiano Ronald Quinn explicará as mais recentes investigações em torno de ensaios de células com potencial para utilização em medicamentos e a identificação dos respetivos alvos a terapêuticos.

O norte-americano Bradley Moore e o português Pedro Leão, da Universidade do Porto, vão explicar as oportunidades na biossíntese dos recursos marinhos, que continuam a surpreender pela sua capacidade de produzir moléculas com aplicação na área da Saúde.

A brasileira Letícia Costa-Lotufo vai abordar várias proteínas existentes em organismos marinhos relevantes para o tratamento do cancro.

É a segunda vez em 44 anos que a nível mundial o Simpósio Internacional de Produtos Naturais Marinhos e o Congresso Europeu de Produtos Naturais Marinhos se realizam no mesmo local e na mesma data. O simpósio realiza-se de três em três anos e o congresso tem periodicidade bienal, tendo ambos já passado por mais de 12 países.

Em Peniche, “vai ser o maior [congresso] de sempre, em número de investigadores e de projetos”, assegurou Rui Pedrosa.

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