Município de Torres Vedras comemora 45º aniversário da
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Fique a par das aitividades programadas pelo município para assinalar a efeméride.

Os 45 anos da liberdade trazida pela “Revolução dos Cravos” são comemorados pela Câmara Municipal de Torres Vedras com um intenso conjunto de atividades.

Além das visitas guiadas a equipamentos culturais de Torres Vedras e da oficina de construção de brinquedos Brincar… em Liberdade, um outro conjunto de ações vai ter lugar no âmbito do programa comemorativo do 25 de abril do Município de Torres Vedras, mais próximo da data da efeméride assinalada.

No dia 24, quarta feira, pelas 15h00, será realizada uma Tertúlia subordinada ao tema “25 de abril: Cravos nas Armas – Democracia e Liberdade no Presente e Futuro Digital”, na Sede da Junta da Freguesia da União das Freguesias do Maxial e Monte Redondo.

Recuando uns anos, a antes do 25 de abril de 1974, não se reconheceria Portugal. A “Revolução dos Cravos” trouxe mudanças políticas, que se refletiram em alterações profundas na organização social e económica do país. Um ano mais tarde, os portugueses votaram pela primeira vez em liberdade, desde há muitas décadas, e a democracia estava a triunfar, instalando-se na sociedade.

A liberdade conquistada e as mudanças das mentalidades permitiram o desenvolvimento do país e a sua entrada na União Europeia. Atualmente, a História é já uma memória distante perante o presente e o futuro cada vez mais digital. O desenvolvimento tecnológico teve sem dúvidas benefícios mas também consequências, que se enfrenta no quotidiano. Por isso, cada vez mais é necessário saber lidar com as armadilhas das redes sociais, que são usadas para se aproveitarem das fragilidades da democracia e destabilizarem o indivíduo e as sociedades.

Neste sentido, pretende-se abordar nesta tertúlia as transformações na sociedade portuguesa, ancorada na liberdade conquistada no 25 de abril, os desafios da democracia no presente e futuro digital, e de que forma o cidadão tem o poder de defender os valores pelos quais os seus antepassados lutaram.

No mesmo dia, pelas 17h30, terá inicio a Sessão de tricô e contação de histórias Pontos de Luz – Sessão especial do projeto “Tricô(n)tando” em comemoração do 25 de abril, na Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino.

Esta sessão do projeto “Tricontando” será materializada na leitura e exploração de poemas de abril. Os pontos da agulha serão transformados em pontos de luz para iluminar memórias de uma revolução que converteu em passado quase 50 anos de ditadura. Enfim, é a memória desse tempo antigo que encontrou refúgio nas bocas dos poetas que cantaram o Dia da Liberdade que será resgatada nesta atividade.

Poemas a explorar:
Queixa das Almas Jovens Censuradas, de Natália Correia;
Cantata da Paz, de Sophia de Mello Breyner Andresen;
O Dia da Liberdade, de José Jorge Letria.

Inscrições pelo n.º de telefone: 261 320 738; ou pelo e-mail: fabricadashistorias@cm-tvedras.pt.

No final do dia 24 de abril, pelas 19h00, terá lugar o Lançamento da obra de Josué Diniz O Cerco das Trevas, com comentários de Jorge Ponce e debate mediado por Nozes Pires, na Biblioteca Municipal de Torres Vedras.

No Brasil, a década de 60 foi marcada pela política fundada na ideologia capitalista de expansão económica e militar dos Estados Unidos. Período em que as instituições democráticas, as liberdades individuais e coletivas foram profundamente desrespeitadas. Os direitos do cidadão e dos trabalhadores foram violentados e extintos. Naqueles anos, por todo o mundo, eclodiram movimentos contracultura que contestaram os valores e os costumes sociais em plena decadência. Os interesses dos Estados Unidos subvencionaram a implantação da censura, da repressão e da violência sistematicamente perpetradas pelos estados autoritários que tomaram o poder. Ditaduras apoiadas pelas elites e pela classe média com grandes espetativas de ascenção, tornando-se responsáveis por prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos e assassinatos dos agentes sociais que se organizavam com o propósito de uma radical transformação ética e política da vida no planeta.

Josué Diniz, no seu livro O Cerco das Trevas, faz um relato emocionado dos factos que marcaram a sua participação no movimento estudantil no Rio de Janeiro, exatamente no ano mais crítico da violência repressiva da ditadura. Com esta publicação da Editora Chiado é se convocado a pensar os modos com que a juventude se coloca diante dos desafios deste momento, neste lugar do mundo.  

Josué Diniz
Josué Diniz, licenciado em Ciências Sociais e História, é também autor do livro Borel – O Morro dos Espíritos e da peça de teatro Escola, Ordem e Progresso. Atualmente reside em Torres Vedras. Tem viajado pela América Latina, Europa e India, observando diferentes culturas, dando desdobramentos à sua pesquisa no campo da filosofia oriental.

Jorge Ponce
Jorge Ponce também participou do movimento estudantil no Brasil nos anos 60. Vive em Torres Vedras. Atualmente, como artista plástico é membro da comissão instaladora da Universidade Popular de Torres Vedras.

Nozes Pires
Nozes Pires, mestrado em filosofia, reside em Torres Vedras onde lecionou no ensino secundário, presidindo atualmente à comissão instaladora da Universidade Popular de Torres Vedras.

Para terminar o dia, a Sociedade Filarmónica Ermegeirense tem preparado um Concerto comemorativo do 25 de abril, às 22h00.

Um momento musical que irá contar com atuações das bandas da Sociedade Filarmónica Ermegeirense e da Sociedade Filarmónica Incrível Aldeiagrandense

No dia 25 de abril as comemorações começam às 11h00 com a Sessão Solene da Assembleia Municipal de Torres Vedras, na Sociedade de Instrução e Recreio, Maxial, seguida da inauguração do Parque Multiusos do Maxial às 13h00.

A Sessão Solene da Assembleia Municipal de Torres Vedras Comemorativa do Dia da Liberdade irá contar com as intervenções dos representantes das forças políticas com assento neste órgão, do presidente da Junta da Freguesia da União das Freguesias do Maxial e Monte Redondo, do presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras e do presidente da Assembleia Municipal de Torres Vedras.

Às 15h30 está programada a Inauguração da exposição da autoria de Eduardo Gageiro sobre o 25 de abril A Liberdade, na Sociedade de Instrução e Recreio, Maxial.

Segundo refere a diretora da Galeria Municipal de Torres Vedras, Catarina Sobreiro, a propósito desta exposição: “Eduardo Gageiro captou, como poucos conseguiram, os momentos mais marcantes da revolução de abril. Cristalizou para sempre, em poderosas imagens a preto e branco, os festejos da liberdade, o fim da guerra colonial, a consagração de direitos essenciais dos trabalhadores e outros momentos que estiveram no nascimento da democracia em Portugal.

A fotografia que retrata o capitão Salgueiro Maia a morder o lábio para não chorar de emoção e a imagem de um soldado a retirar a fotografia de António de Oliveira Salazar tornaram-se símbolos de liberdade e de mudança, continuando a emocionar e a inspirar quem tem a oportunidade de as ver e conhecer as suas memórias”.

A exposição A Liberdade poderá ser visitada no Maxial até ao dia 26 de maio.

Eduardo Gageiro

Eduardo Gageiro nasceu em Sacavém a 16 de fevereiro de 1935. Empregado de escritório na Fábrica de Loiça de Sacavém de 1947 a 1957, conviveu diariamente com pintores, escultores e operários fabris, que o influenciaram na sua decisão de fazer fotojornalismo.

Com 12 anos publica no Diário de Notícias, com honras de primeira página, a sua primeira fotografia. Começa a sua atividade de repórter fotográfico no Diário Ilustrado em 1957. Foi fotógrafo do Século Ilustrado, Associated Press e colaborou com grandes revistas do panorama nacional e internacional.

Ao longo da sua carreira editou mais de duas dezenas de livros, juntamente com escritores conceituados como António Lobo Antunes, José Saramago, José Mattoso, José Cardoso Pires, Sophia de Mello Breyner Andresen e Lídia Jorge.

É membro de honra do Fotokluba de Riga (ex-URSS), Fotoclube Natron (ex-Jugoslávia), Osterreichisdhe Fur Photographie, O.G.Ph Viena (Áustria), Gold Year de Honra (Novi Sad, ex-Jugoslávia) e Excellence F.I.A.P. (Fédération Internationale de L’Art Photographique – Berna, Suíça).

É também comendador da Ordem do Infante D. Henrique – 2004; cavaleiro da Ordem de Leopoldo II – Bélgica – 1982; mestre fotógrafo honorário da Associação de Fotógrafos Profissionais – 2009; patrono do Agrupamento de Escolas Eduardo Gageiro (anteriormente Agrupamento de Escolas de Sacavém e do Prior Velho) desde 2012; é atualmente o único português com uma fotografia em exposição permanente na Casa da História Europeia, em Bruxelas, desde 2014.

Conquistou centenas de prémios nos cinco continentes, destacando-se: Medalha de Ouro atribuída pelo Photo Journalism International Salon – Washington, E.U.A. – 1974; Medalha de Ouro atribuída pela World Press Photo (2.º lugar – Categoria “Retratos”) – 1975; Grande Prémio da Paz – Berlim Oriental, Alemanha (Ex R.D.A) – 1975; Prémio Willy Hengl Celebrity Portraits – Train, Áustria – 1977; Grande Prémio International Exhibition of Photography. Associação Soviética de Amizade e Relações Culturais entre os Povos – Moscovo, U.R.S.S. – 1978; 3 Globos de Ouro, 2 Globos de Prata e 1 Globo de Bronze, atribuídos pela The Iraqi Society for Photography – Bagdad, Iraque – 1996; Medalha de Ouro, Prémio Especial do Júri e Melhor Conjunto de Fotografias a Preto e Branco (entre 35.000 fotografias submetidas) no 11th International Photographic Art Exhibition – Beijing, China – 2005.

Expôs as suas fotografias pelo mundo, tanto individualmente como coletivamente. Dessas exposições destacam-me: Dez Fotógrafos Mundiais – Viena – 1977; Museu de Helsínquia – 1984; Galeria Bloomingdale – Nova Iorque – 1984; Museu da Cidade de Rovigno – Croácia – 1999; Universidade de Praga – 2002; Palácio dos Congressos – Grasse, França – 2005; Abadia de Neumünster – Luxemburgo – 2006; Museu Mundial de Arte de Pequim – 2007 (retrospetiva com 222 fotografias).

No dia seguinte, 26 de abril, poderá contar com o Concerto Vamos Cantar Abril! – O Abril da resistência!, na Casa do Povo de Monte Redondo às 22h00.

Nesta noite de abril, numa partilha de memórias, ir-se-á mergulhar no silêncio para ouvir as velhas canções que denunciaram o que se vivia no Estado Novo e ajudaram a construir a esperança num país melhor. Recordar-se-á temas que ficaram, tais como: E depois do AdeusGrândola Vila MorenaPortugal Meu País.

Ficha Artística 

Avelino Santos – fadista
Cristina Santos – fadista
Leonor Madeira – fadista
Henrique Leitão – guitarra e voz
Eduardo Lopes – viola e voz
António Luís Valente – piano, acordeão, cavaquinho e percussão

Por fim, dia 27, às 21h00, o Teatro-Cine de Torres Vedras recebe o Espetáculo de dança/música Desfrutemos o delicado instante em que ela muda de vontade.

A convite do serviço educativo do Teatro-Cine de Torres Vedras e da Estufa – Plataforma Cultural, alunos da Escola Dança Movimento e alunos da Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues apresentam o resultado artístico de um laboratório criativo, desenvolvido desde novembro de 2018.

Música e Dança dialogarão num espetáculo que procura aproximar sensibilidades e promover uma reflexão em torno dos cruzamentos artísticos, baseada no respeito, no confronto, na interação e dedicação de todos os participantes.

Desfrutemos o delicado instante em que ela muda de vontade constitui um corpo coletivo, feito de muitos corpos. Um corpo capaz de criar novos territórios e lugares de imaginação, um corpo que se desafia a habitar criativamente o espaço.


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