Museu Nacional Resistência e Liberdade exibe 'online' entrevistas de resistentes
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O Museu Nacional Resistência e Liberdade, em Peniche, está a disponibilizar ‘online’ entrevistas a antigos prisioneiros da cadeia que funcionava naquele edifício, completando hoje a entrevista iniciada no sábado a José Pedro Soares.

O projeto, com perto de um ano, vai disponibilizar as entrevistas à medida que fiquem concluídas, por se tratar de “verdadeiros documentos históricos”, disse à agência Lusa fonte da Direção-geral do Património Cultural (DGPC).

Na entrevista a José Pedro Correia Soares, cuja transmissão se iniciou no sábado ficando hoje completa com a reprodução da segunda parte, este militante comunista recorda os mais de três anos que esteve preso no Forte de Peniche, onde funciona agora o museu, e de onde foi libertado no dia a seguir ao 25 de Abril de 1974.

As entrevistas, que são disponibilizadas sensivelmente ao ritmo de uma por semana, podem ver-se em http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/agenda/video/historias-de-pessoas-historias-de-resistencia/.

Filho de agricultores e natural da aldeia rural de Cachoeiras, no concelho de Vila Franca de Xira, José Pedro Soares, completou a quarta classe indo trabalhar para a agricultura.

Aos 13 anos, conta na entrevista, foi trabalhar como compositor mecânico para uma tipografia em Vila Franca de Xira, onde começou a tomar contacto com resistentes ao regime de ditadura em que Portugal vivia.

Inscreveu-se na então Escola Industrial de Vila Franca de Xira – porque dava muitos erros ortográficos, como conta na entrevista, – na qual foi tomando contacto com estudantes e muitos tipógrafos que contestavam o regime.

A mobilização cívica iniciou-a com outros colegas trabalhadores-estudantes em sessões nas coletividades de Vila Franca de Xira, uma luta alargada, depois, às empresas até que, em 1968, se filiou no Partido Comunista Português (PCP).

A militância às claras não durou, porém, muito já que, em 1971, com 21 anos de idade e ainda a cumprir serviço militar, foi denunciado por um colega de tropa e preso pela PIDE/DGS.

Interrogado na sede daquela polícia de defesa do Estado, na Rua António Maria Cardoso, esteve preso na Carregueira e depois em Caxias durante 23 meses sem ser julgado e sem nunca ter denunciado ninguém.

Do tempo de prisão o Forte de Peniche, José Pedro Soares recorda a visita que recebeu, em 1972, dos então deputados da Ala Liberal da Ação Nacional Popular (ANP) Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão, bem como o convívio que teve com então já nomes reconhecidos do PCP.

Torturado várias vezes e julgados apenas 23 meses depois de detido – “por ser militar durou sempre tudo mais tempo”, José Pedro Soares foi condenado a três anos e meio de cadeia, e recolheu ao Forte de Peniche acabando por não cumprir a totalidade da pena devido à Revolução dos Cravos.

Vitor Lima, Adelino Pereira da Silva e Luís Figueiredo são outros dos protagonistas das entrevistas que serão transmitidas, num exemplo de “coragem e superação num tempo de repressão”, como refere a página do Museu na Internet.

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