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Passageiros e funcionários queixam-se da falta de condições do terminal rodoviário do Campo Grande, em Lisboa, que há três anos ficou sem parte da cobertura e não tem casas de banho.

“O terminal não tem condições. Quando está vento e a chover, ficamos todos molhados. Chove em cima dos bancos todos, exceto num. As pessoas nem têm onde se sentar enquanto esperam”, disse à Lusa um motorista da rodoviária Boa Viagem, que optou pelo anonimato.

A trabalhar naquele local há quatro anos, o motorista explicou que as condições pioraram há três anos, quando um episódio de vento forte levantou as placas que cobriam a estrutura.

“Os bombeiros foram chamados e tiraram todas as placas que estavam soltas para que não causassem danos a ninguém porque são muito fininhas e cortam”, disse a, acrescentando que no dia do vento forte “algumas voaram por cima dos autocarros e foi uma sorte não terem atingido ninguém”.

Afirmando que, nas horas de ponta, o terminal movimenta “milhares de pessoas” (o Campo Grande é ponto de passagem de duas linhas de metro e de dezenas de carreiras de autocarro, provenientes inclusive de fora da cidade), o motorista afirmou que os passageiros se queixam, mas a manutenção está a cargo da Câmara de Lisboa, pelo que as transportadoras “não querem investir numa coisa que não é delas”.

No seu entender, os grandes causadores da situação são as “centenas de pombos que vivem” no terminal, porque “apodrecem a estrutura”.

O motorista frisou ainda que “há uma parte do terminal que é a céu aberto”, não tendo qualquer tipo de abrigo, e que “não há uma única casa de banho” para os passageiros.

“Dantes havia no metro, mas fecharam-na. O que salva os passageiros são as casas de banho do estádio de Alvalade”, afirmou.

Luís Rosa e a sua mulher Maria Conceição Rosa moram perto da praia de Santa Cruz, em Torres Vedras, mas têm de se deslocar várias vezes a Lisboa para consultas médicas.

Enquanto aguardavam pelo autocarro para os levar de volta a casa, lamentaram à Lusa a “falta de casas de banho e de uma bilheteira para pedir informações ou tirar bilhetes”.

Para a jovem Marta Fernandes, que ali apanha todos os dias o autocarro, além da cobertura “estar toda partida” fazem falta mais bancos nas zonas onde não chove.

A acompanhar a mãe numa consulta médica, Liliana Hipólito estava debaixo do viaduto do metro do Campo Grande a abrigar-se da chuva enquanto esperava pelo autocarro.

“Quando chove, se não fosse o metro não tínhamos sítio para estar porque aqui não há nada”, lamentou, acrescentando que “não há onde se sentar” e a falta de casas de banho revela-se no “cheiro a urina que se sente nas paragens”.

Contactado pela agência Lusa, o diretor da Boa Viagem José Fernando disse que “por várias vezes” já questionou a Câmara de Lisboa acerca do terminal, mas “nunca fizeram nada”.

Além da Boa Viagem, José Fernando representava também os operadores Barraqueiro Oeste, Mafrense e Ribatejana nas interpelações à autarquia.

A Lusa questionou a Câmara de Lisboa sobre as queixas, mas ainda não obteve uma resposta.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Era de aproveitar e faziam a mesma investigação jornalistica acerca do terminal rodoviario de torres vedras. Em que estado está a cobertura? Em que estado estão as casas de banho? Quem é responsável pelo espaço?

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