Pastor acusado de matar mulher em Torres Vedras assume discussão violenta
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O pastor acusado de matar uma mulher em Torres Vedras, com quem mantinha uma relação amorosa, assumiu ontem, no tribunal de Loures, que teve uma discussão e apertou o pescoço da vítima, mas afasta intenção de matá-la.

No início do julgamento em Loures, conduzido por um tribunal de júri, o arguido, pastor de profissão, de 55 anos e que se encontra em prisão preventiva, confirmou os factos presentes na acusação do Ministério Público (MP), sem assumir a prática do crime de homicídio qualificado, confessando apenas que teve “uma luta com a ofendida”, em que discutiu e apertou o pescoço da vítima, deixando-a caída na casa de banho.

Além do pastor, o início do julgamento no tribunal de Loures, que começou pelas 09:30 e terminou pelas 18:00, foi marcado pela inquirição dos dois filhos da vítima, pela investigadora da Polícia Judiciária, pelo agente da Polícia de Segurança Pública e pelo militar da Guarda Nacional Republicana que intervieram no processo, inclusive na detenção do suspeito.

A próxima sessão do julgamento está marcada para 21 de maio, pelas 09:15, no tribunal de Loures, distrito de Lisboa, e vai decorrer o dia todo, indicou à Lusa Ricardo Serrano Vieira, advogado do filho da vítima Heila Simas, que se constituiu assistente no processo.

Segundo a defesa do filho da vítima, vão ser chamados a testemunhar, na próxima sessão de julgamento, amigos de Heila Simas e os médicos que a assistiram, no sentido de provar que a mulher já se queixava das agressões por parte do pastor.

O arguido requereu a abertura de instrução (fase facultativa que visa decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento), mas o juiz de instrução criminal pronunciou-o (decidiu levar a julgamento) nos exatos termos da acusação do Ministério Público.

A defesa do filho da vítima Heila Simas requereu que o arguido, António Assunção, fosse julgado por um tribunal de júri e apresentou um pedido de indemnização cível de 100.000 euros.

O arguido vai responder pelos crimes de ameaça agravada e de homicídio qualificado.

Na fase de instrução, o pastor confessou o crime, mas negou a sua premeditação, justificando que o mesmo “foi motivado por uma emoção violenta e desesperada”.

A acusação do MP, a que a agência Lusa teve acesso, conta que o arguido e a vítima, de 45 anos e morta em 06 de abril de 2019, se conheceram há dois anos numa ‘casa de alterne’ e, desde aí, mantinham “uma relação de natureza sexual com contactos diários, pernoitando ele em casa dela ou vice-versa”.

No bar de alterne onde a vítima trabalhava, em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, o arguido veio, na mesma noite, a saber que a vítima “mantinha uma relação muito próxima” com outro homem, lê-se no documento.

Por ter sido preterido, nessa noite ameaçou a vítima de que a matava.

Segundo a acusação, após sair do estabelecimento, pelas 04:00, a mulher foi deixada pelos patrões à porta do prédio onde morava, em Torres Vedras, encontrando-se o arguido escondido nas escadas do edifício.

Depois de ela se encontrar dentro do prédio, o arguido abordou-a, entraram ambos na sua residência e discutiu com ela “pelo ódio de se sentir atraiçoado e enganado”, após lhe ter “entregue elevadas quantias monetárias”, indica a acusação.

No quarto da mulher, agrediu-a “com murros e pontapés” e, “agarrando-a pelo pescoço com ambas as mãos, asfixiou-a” até à morte, descreve a acusação, levando-a depois para a banheira da casa de banho, acrescenta o MP.

Uma hora depois, informou os proprietários do bar de que a tinha matado, ameaçando matar de seguida o outro homem, a quem ainda chegou a telefonar.

Alarmados pela mensagem recebida, contactaram a filha da vítima, que se dirigiu à residência e veio a encontrar a progenitora morta na banheira.

Na sua residência, após ingerir bebidas alcoólicas, o arguido tentou suicidar-se disparando uma caçadeira, cujo tiro não acertou em qualquer parte do seu corpo.

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