Perda de audição é o terceiro problema de saúde crónico dos idosos portugueses
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Isolamento social, depressão e demência podem ser consequências da perda auditiva entre os mais velhos.

Em Portugal, estima-se que cerca de 30% da população com mais de 50 anos sofre de perda auditiva, um problema que pode afetar qualquer pessoa independentemente da sua idade sendo, no entanto, comum entre a população idosa. De facto, este fenómeno, também conhecido como presbiacusia, é o terceiro problema de saúde crónico entre os idosos portugueses, a seguir à hipertensão e à artrite, com uma incidência de 25% nos indivíduos entre os 65 e os 75 anos, e 70% a 80% nos indivíduos com mais de 75 anos. O impacto desta condição na qualidade de vida das pessoas é uma preocupação para os especialistas, que alertam para a importância da reabilitação auditiva para a sua reintegração na sociedade.

Com o avançar da idade, o ouvido sofre alterações degenerativas que resultam na perda progressiva da audição, que poderá ser parcial ou total. Esta é, aliás, a causa principal para quase todos os casos de perda de audição, mas há também outros fatores associados, como os antecedentes familiares, a permanente exposição a ambientes ruidosos ou algumas doenças neurológicas, metabólicas e cardíacas. Segundo dados recentes da OMS, estima-se que 900 milhões de pessoas deverão sofrer de perda auditiva até 2050. Importa, por isso, falar do impacto que este problema poderá ter na vida destas pessoas.

Dulce Martins Paiva, Diretora-geral da GAES – Centros Auditivos, explica que “a perda auditiva é um défice adquirido, ou seja, consiste numa perda gradual das capacidades auditivas, devido a lesões ou doenças. Nestas situações, a maioria das pessoas já aprendeu a comunicar oralmente, sendo que, ao desenvolver esta deficiência, vai procurar alternativas para comunicar. Como qualquer outra parte do nosso corpo, o ouvido precisa de ser estimulado e exercitado para se manter ativo. Se o estímulo desaparece, a perda auditiva aumenta, e a compreensão da fala também começa a deteriorar-se gradualmente. É por isso que é fundamental procurar uma solução.”

Esta situação representa consequentemente a perda na qualidade de vida e da rotina socialmente ativa, “uma vez que esta condição altera a capacidade de relacionamento com os outros, afeta progressivamente a memória, a orientação e a linguagem, causando o isolamento”. O problema torna-se ainda mais preocupante, se tivermos em conta que a solidão e o isolamento social acabam por ser comuns entre estes indivíduos, podendo causar depressões e até mesmo resultar num quadro de demência.

Numa população cada vez mais envelhecida, torna-se assim fundamental falar não só de prevenção, mas também de reabilitação auditiva, que poderá devolver a estas pessoas a sua qualidade de vida, uma vez que o problema tem, na maioria dos casos, solução.

“Atualmente, com o avanço da tecnologia no setor da saúde, existem inúmeras soluções para casos de perda auditiva, como aparelhos auditivos bastante discretos e eficazes, que se adaptam aos diferentes tipos de problemas, pessoas e ambientes. O seu uso permite que os estímulos auditivos se mantenham ativos e, por isso, melhoram a qualidade de vida dos seus utilizadores, que conseguem ouvir novamente os sons que haviam perdido”.

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