Poucos municípios têm estratégia integrada de inteligência urbana
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Poucos municípios portugueses têm uma estratégia integrada de inteligência urbana, afirmou a gestora da Rede Portuguesa de Cidades Inteligentes (RENER),Catarina Selada, explicando que existem projetos de mobilidade sustentável e de eficiência energética, mas numa perspetiva isolada e pontual.

Em declarações à agência Lusa, Catarina Selada considerou que existe “uma evolução grande em termos de consciencialização” da necessidade de tornar as cidades sustentáveis e eficientes, referindo que os primeiros passos nesta área já estão a ser dados.

“As ‘smart cities’ são as cidades do futuro e é um pouco uma utopia, ou seja, é mais relevante olhar para o processo de desenvolvimento dessas cidades como ‘smart city’, como um fim em si mesmo, porque provavelmente nunca vamos atingir essa utopia”, defendeu a gestora técnica da RENER, sublinhando que se trata de um trabalho diário para atingir alguns dos objetivos económicos, sociais, ambientais e culturais, numa lógica de construção de cidades mais inteligentes.

Para Catarina Selada, que é também diretora da Unidade de Cidades da INTELI – Inteligência em Inovação – Centro de Inovação, uma ‘smart city’ é uma cidade que utiliza a informação, o conhecimento e as tecnologias digitais para responder aos desafios urbanos de futuro.

“A tecnologia é importante, mas é apenas um meio, não um fim em si mesmo, porque o objetivo final é promover a qualidade de vida dos cidadãos”, reforçou a especialista em cidades, frisando que uma cidade inteligente tem de ser inovadora, sustentável, inclusiva e conectada.

Questionada sobre a estratégia das cidades portuguesas, Catarina Selada considerou que “há poucos municípios que têm uma estratégia integrada de inteligência urbana”, contudo “há vários municípios que têm projetos, boas práticas em áreas verticais, nomeadamente projetos na área da mobilidade sustentável, projetos na área da eficiência energética, projetos na área da participação pública, que desenvolvem mas ainda numa perspetiva muito isolada e pontual, não integrados numa estratégia municipal como um todo”.

Em relação aos problemas existentes nas cidades portuguesas, a responsável da RENER expressou que “existe grande diversidade e heterogeneidade”, explicando que nos municípios do interior existem problemas graves como o despovoamento e o envelhecimento da população, enquanto nos municípios mais no litoral, maiores e com universidades, os desafios têm a ver com as alterações climáticas, ao envelhecimento da população, as desigualdades e a exclusão social.

Sobre as possíveis soluções, Catarina Selada mencionou a melhoria da eficiência de serviços públicos prestados pelas autarquias aos cidadãos, nomeadamente na energia, na gestão da água e nos resíduos, através de “soluções urbanas inteligentes e inovadoras”.

“Se retirarmos a análise das grandes cidades e metrópoles – Barcelona, Londres, Paris, Nova Iorque – as pequenas e médias cidades portuguesas não estão muito longe das pequenas e médias cidades europeias” e mundiais, reforçou a gestora técnica da RENER.

Como bons exemplos de cidades inteligentes em Portugal, a especialista lembrou os municípios vencedores do prémio ‘A Smart Project for Smart Cities’, promovido pela INTELI em 2015, que distinguiu o projeto ‘Bike-Sharing’ de Torres Vedras, o projeto Nopaper de Vila Nova de Gaia na área da desmaterialização de processos, o projeto de iluminação pública inteligente de Águeda, o projeto de gestão inteligente dos resíduos de Cascais e o projeto de Matosinhos com sistema de gestão da informação ambiental.

A Rede Portuguesa de Cidades Inteligentes (RENER), que integra cerca de 119 municípios, vai ser um dos projetos discutidos na conferência internacional Zoom Smart Cities, que se realiza em Lisboa, durante quarta e quinta-feira, contando com mais de 40 oradores e com a participação de cerca de 350 pessoas.

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