Hoje é o 3º dia consecutivo de greve entre os trabalhadores precários do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), neste momento está garantido um nível de adesão de 100% nas Caldas da Rainha e em Peniche e 85% em Torres Vedras. A greve continuará até às 24h00. No total serão 72 horas de greve, em três hospitais que trabalham 24 horas por dia, o que representaria, numa situação habitual de 8 horas diárias, uma paralisação de 9 dias consecutivos. Foi uma grande mobilização que só foi possível com a solidariedade e convicção de todos os colegas.

Os Precários do CHO registam a abertura demonstrada para negociação pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste, na reunião que decorreu durante a tarde de ontem. Dessa reunião saíram diversos compromissos:

  • A garantia de pagamento do trabalho realizado em serviços mínimos, as horas extra e o restante do subsídio de férias em atraso;

  • A garantia de marcação de férias em igualdade com os colegas do quadro;

  • O compromisso para procurar restabelecer a igualdade entre trabalhadores no acesso ao abono para falhas;

Os compromissos acima referidos resultaram da grande mobilização e união dos Precários do CHO. Perante a nossa mobilização, o Conselho de Administração reconheceu ainda a nossa justa reivindicação para as 35 horas. Não desistimos dos nossos direitos e esperamos no processo de negociação em curso alcançar o objetivo imediato das 35 horas. Sabemos que está ao alcance da administração do CHO garantir as 35 horas para todos, por isso, para as negociações que se abrem, exigimos que até ao dia 30 de Novembro, nos seja apresentado um acordo escrito para a passagem às 35 horas no dia 1 de Dezembro, com efeitos retroativos desde 1 de Julho, momento em que os nossos colegas regressaram às 35 horas. Perante a ausência de acordo, avançaremos para uma nova greve.

Com a nossa mobilização e a greve em curso, também o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes reconheceu que todos nós devíamos fazer parte dos quadros do CHO e que a nossa situação é lamentável. Sublinhamos este reconhecimento e esperamos que não fique pelas lamentações. Reconhecemo-nos como trabalhadores do CHO, pois estamos integrados na sua hierarquia e garantimos funções permanentes e essenciais aos serviços quotidianos prestados aos utentes. A nossa precariedade não é compatível com a melhoria e manutenção da qualidade dos serviços. Lutamos por isso, também, pelos direitos e pelo respeito pelos utentes.

Reuniram-se assim os motivos para lançamento de uma petição pela integração direta nos quadros do CHO de todos os trabalhadores precários, que a partir de hoje será entregue à cidadania e que fará o seu caminho até à Assembleia da República (AR), onde todos os partidos, o Governo e o Ministro da saúde, serão chamados à responsabilidade.

Durante este processo, muitas foram as organizações que demonstraram solidariedade com a nossa luta e reconheceram a justiça das nossas exigências: Câmara Municipal de Caldas da Rainha e todos os grupos municipais; Câmara Municipal de Torres Vedras; Grupo Parlamentar da Assembleia da República (GPAR) do Bloco de Esquerda; GPAR do Partido Comunista Português; Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis; e o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte e Centro. Salientamos ainda o apoio público, de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, entre outros deputados da AR, e também os deputados municipais do PS e PCP das Caldas da Rainha que visitaram os piquetes de greve. A todos agradecemos a colaboração e o apoio prestado e a todos prometemos: não vamos desistir. Vale a pena lutar.

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