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O presidente da Câmara de Torres Vedras (PS) retirou os pelouros à vereadora Cláudia Horta Ferreira por “perda da confiança política” e esta considera-se vítima de difamação e quer avançar com uma queixa-crime para os tribunais.

Num despacho datado de segunda-feira, a que a agência Lusa teve acesso, Carlos Bernardes revoga, a partir de hoje, o despacho de 2017 em que atribuiu à vereadora os pelouros da coordenação geral dos serviços municipais, ambiente e sustentabilidade, proteção civil, jurídico e contencioso, comunicação, empreendedorismo, marca Torres Vedras, administração municipal e modernização administrativa, recursos humanos, qualidade, participação e cidadania e tecnologias de informação e comunicação.

O presidente da câmara chama a si esses pelouros e Cláudia Horta Ferreira “deixa” de exercer funções “a tempo inteiro ou meio tempo”, por “quebra de confiança política”, é justificado no despacho.

Na reunião pública de hoje, a vereadora contou que, na quinta-feira, foi chamada ao gabinete do presidente por alegado favorecimento numa obra que está a realizar na sua própria casa e esclareceu que o seu processo de obra foi “transparente”, votado na câmara na sua ausência, e que “não foi em nada beneficiada” pelo cargo que exerce, nem “fez nada de ilegal”.

Na mesma reunião, Carlos Bernardes não prestou quaisquer esclarecimentos.

Cláudia Horta Ferreira, que foi excluída da lista candidata à câmara nas próximas eleições autárquicas, aprovada no sábado pela comissão política concelhia do PS e dada a conhecer à comunicação social, adiantou que “está a reunir dados para instruir um processo por crime de difamação”.

Para a autarca, “bastava que lhe dissessem para sair”.

Além de Cláudia Horta Ferreira, também não integra a lista à câmara o vereador Hugo Lucas, chamado ao gabinete de Carlos Bernardes por alegado envolvimento nas obras da vereadora.

Apesar de manter os pelouros e funções a tempo inteiro, o vereador justificou, na reunião de câmara, que “fiscalizar obras particulares compete a outro pelouro” e não a si.

Por o subempreiteiro das obras de Cláudia Horta Ferreira ser o mesmo que o das obras de uma requalificação a cargo da autarquia, Hugo Lucas esclareceu que o investimento “está realizado em obra” e que “cumpriu com o que era a sua função” na defesa do interesse público e na utilização dos dinheiros públicos.

Além de Carlos Bernardes, a lista à câmara é composta por Laura Rodrigues, Ana Umbelino, Francisco Martins, Dulcineia Ramos, Rui Lopes, Nelson Pereira, Beatriz Mota e Ana Carolina Franco.

Na corrida autárquica à câmara está o ex-vereador do PS Sérgio Galvão pelo Movimento Cívico Unidos por Torres Vedras, o atual presidente da Câmara de Torres Vedras, Carlos Bernardes, pelo Partido Socialista, e o deputado Duarte Pacheco pelo PSD.

Nas anteriores eleições autárquicas, o PS venceu em Torres Vedras, com maioria absoluta, elegendo seis elementos para o executivo, enquanto o PSD elegeu três.

Este ano as autárquicas ainda não têm data, mas, segundo a lei, ocorrem entre setembro e outubro.

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