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As pessoas ciganas vivem em média menos 15 anos do que a população em geral, com uma prevalência elevada de doenças respiratórias, colesterol e tensão alta, o que motivou o arranque de um projeto-piloto para melhorar hábitos de saúde.

O projeto-piloto é da autoria da associação Letras Nómadas, através do Fundo de Apoio (FAPE) à Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, que pretende levar às cerca de 60 mil pessoas ciganas espalhadas por Portugal um vídeo com informação sobre comportamentos saudáveis e práticas de prevenção.

“Este projeto nasce de uma grande preocupação de todos, mas sobretudo das associações ciganas, dado que a esperança de vida das comunidades ciganas em relação à média da comunidade maioritária é menos 15 anos”, explicou o vice-presidente da Letras Nómadas.

De acordo com Bruno Gonçalves, e tendo por base estudos recentes, este dado está relacionado com comportamentos de risco e de más práticas de prevenção, o que levou a associação a produzir um vídeo, com recurso a atores amadores ciganos, em que são abordados vários temas ligados à saúde.

No vídeo são abordados temas como o colesterol, o uso excessivo do sal e do açúcar, a automedicação, a hipertensão, o consumo precoce de álcool e tabaco, mas também as doenças respiratórias, como a bronquite asmática, ou as gravidezes prematuras, sendo que o trabalho teve por base um estudo de 2009 da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) intitulado “As comunidades ciganas e a saúde: Um primeiro retrato nacional”.

Bruno Gonçalves apontou que alguns destes problemas de saúde têm muitas vezes origem em maus hábitos alimentares no seio da comunidade cigana e lembrou que o estudo da EAPN apontava para mais de 30% das pessoas ciganas com problemas de excesso de peso ou obesidade.

“Um dos grandes objetivos é disseminar o vídeo, não só pelas redes sociais, que é uma das formas de nós chegarmos mais depressa às famílias, mas também nos centros de saúde e queremos acreditar em algumas escolas, dado que temos casos de subnutrição”, adiantou Bruno Gonçalves.

De acordo com o responsável, a associação pretende fazer chegar o vídeo a todas as comunidades ciganas, mas para já têm em vista os municípios de Barcelos, Seixal, Torres Vedras, Moura, Beja, Elvas e Figueira da Foz, onde estão a levar a cabo um outro projeto em parceira com o Conselho da Europa.

Bruno Gonçalves adiantou que foram feitos 500 DVD para serem distribuídos não só pelos centros de saúde, mas também pelas famílias, algo que deverá começar a ser feito a partir do mês de janeiro de 2016.

Posteriormente, nos seis meses entre janeiro e junho vão recolher indicadores nos agrupamentos centros de saúde do Seixal e de Elvas para perceber se a campanha está ou não a ter impacto junto da população alvo.

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