PSD de Torres Vedras aponta ilegalidade a autarca e pede a sua demissão
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“Ao Nuno Cosme pede-se que tome consciência da situação absolutamente frágil em que se encontra e assuma ele próprio a atitude de renunciar”, referem os sociais-democratas.

O PSD de Torres Vedras incitou ontem o presidente da Junta de Freguesia de A-Dos-Cunhados a demitir-se e o PS a retirar-lhe a confiança política, por alegada ilegalidade ao assinar um contrato de arrendamento com uma empresa sua.

Em comunicado, o PSD acusou Nuno Cosme de ter praticado uma ilegalidade e “ultrapassado todos os limites éticos”, quando, no anterior mantado autárquico, enquanto tesoureiro da junta, “aprovou e assinou” um contrato de arrendamento em 2015 entre a autarquia e uma lavandaria da qual era sócio-gerente, que pressupunha não pagar renda durante três anos.

“Ao Nuno Cosme pede-se que tome consciência da situação absolutamente frágil em que se encontra e assuma ele próprio a atitude de renunciar”, referem os sociais-democratas, que incitaram o PS a “retirar a confiança política” ao autarca, a “única decisão aceitável”.

Confrontado pela Lusa, o presidente da comissão política concelhia do PS, José Augusto de Carvalho, remeteu uma posição sobre o caso para a reunião ordinária convocada para terça-feira.

“Tenciono confrontar a comissão política para depois ninguém dizer que o assunto não foi suscitado, e o que esta decidir subordino-me”, disse à agência Lusa o socialista, defendendo que “se sentisse que pairava sobre a sua pessoa acusações, quereria que os seus parceiros dissessem se estão consigo ou não estão”.

Já para o presidente da Federação Regional do Oeste do PS e da Câmara de Torres Vedras, Carlos Bernardes, “o assunto está resolvido e nada mais há a comentar”, ao ser questionado pela Lusa se manteria a confiança política em Nuno Cosme.

O PSD lamentou a “postura incompreensível” de Carlos Bernardes.

Para os sociais-democratas, retirar a confiança política ao presidente da Junta de Freguesia de A-dos-Cunhados “é a única decisão que defende os interesses da freguesia, que não pode ter como presidente alguém sem qualquer autonomia, força e autoridade para a liderar”.

Em 2015, Nuno Cosme e o irmão constituíram uma empresa para abrir a lavandaria num dos espaços comerciais do Mercado Municipal de A-dos-Cunhados, vindo por isso a celebrar contrato de arrendamento com a junta de freguesia.

Em 2018, vieram a ser acusados pelo Ministério Público de furto qualificado de eletricidade, por terem feito uma ligação à rede de eletricidade já existente no edifício e consumirem eletricidade sem pagar à EDP entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2017, lesando a empresa em mais de 78 mil euros.

Na fase de instrução, durante o debate instrutório, os arguidos alegaram que não tinham lido o contrato celebrado com a junta de freguesia e que estavam convencidos de que a eletricidade consumida era paga pela junta de freguesia e mais tarde paga por eles após “acerto de contas”.

O contrato de arrendamento, citado na pronúncia, refere que os arguidos teriam de “alterar, para seu nome, os contadores de água e luz e proceder ao pagamento dos consumos”.

Em janeiro deste ano, o Tribunal de Torres Vedras decidiu não levar ambos a julgamento por furto qualificado de eletricidade à EDP, depois de estes terem ressarcido a empresa do prejuízo e a elétrica ter desistido da queixa e do pedido de indemnização cível.

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Agência Lusa
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