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A Comunidade Intermunicipal do Oeste (CIMOeste) decidiu avançar com o processo de candidatura dos moinhos de vento, típicos desta região, a Património Imaterial Nacional e da UNESCO (Organização nas Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

“É um projeto importante porque é um património da região, que tem ao seu redor tradições, que são necessário preservar, por isso queremos apresentar uma candidatura a Património Imaterial para incluir não só as estruturas molinológicas [os moinhos], como as tradições”, afirmou hoje Pedro Folgado à agência Lusa.

A decisão foi tomada na última reunião do conselho intermunicipal pelos presidentes dos 12 municípios da CIMOEste, que pretendem o envolvimento da Rede Portuguesa de Moinhos, da Associação LeaderOeste e de outras comunidades intermunicipais, se o estudo vier a concluir que a candidatura tem de ser alargada a outras regiões do país.

O repto foi lançado por Fátima Nunes, descendente de uma família de moleiros, proprietária de um moinho ainda em funcionamento, que pretende “manter vivo este património”.

Na investigação que entregou à CIMOeste e que serve de ponto de partida para este processo de candidatura, a que a Lusa teve acesso, Fátima Nunes refere que a região delimitada a norte pelo rio Lis, em Leiria, e a sul pelo rio Sado, em Setúbal “tem o maior número de moinhos de vento por quilómetro quadrado do país”.

Nesta área, é no Oeste onde se concentram mais, devido às caraterísticas da própria região: o vento e as suas colinas levaram os moleiros a construir moinhos de vento, em vez de moinhos de água.

“O avistamento dos tradicionais moinhos de vento no cimo de colinas é uma marca distintiva da paisagem da região Oeste”, sublinha.

Surgiram no século XVI, por influências oriundas dos quatro cantos do mundo e das Descobertas, que trouxeram o conhecimento sobre as tecnologias náuticas de aproveitamento da força dos ventos, e permaneceram em funcionamento até à segunda metade do século XX.

Se, por um lado, os moinhos desempenharam um importante papel no dia-a-dia ao garantir o abastecimento de farinhas para o fabrico do pão, por outro os moleiros tornaram-se grandes engenheiros na construção de moinhos e surgiram à sua volta tradições, sobretudo orais e ligadas à etnografia da região.

Com a Revolução Industrial e a chegada da moagem e da panificação industriais, os moleiros deixaram de conseguir competir com a indústria e foram aos poucos abandonando a atividade e, por conseguinte, os moinhos.

“No concelho da Lourinhã, onde existia mais de uma centena de moinhos, apenas oito estão em condições de funcionar e, desses, são ainda menos os que o fazem com alguma regularidade”, exemplifica.

Para Fátima Nunes, não só há o “perigo” de se perder este património, como também a paisagem, com o crescimento urbanístico e até a transformação de alguns deles em alojamentos rurais.

“Mais do que a conservação de paredes, madeiras, pedras, cordas e panos, é preciso preservar o “saber fazer”, a técnica, lendas e tradições”, alerta.

Hoje ainda existem moinhos, moleiros e famílias que mantêm a tradição de cozer pão caseiro em forno de lenha com farinha do moinho, por isso com a candidatura procura-se preservar este património, criando financiamento para a recuperação de moinhos e legislação que valorize estas estruturas, para dinamizar a região, relançar a economia regional e atrair investimento.

Para que as gerações mais novas não percam estas memórias, defende-se a criação de uma rede de moinhos, de um centro interpretativo e de quintas pedagógicas que integrem todo o processo, desde a produção dos cereais à moagem e ao fabrico do pão.

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