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As férias ainda não acabaram mas importa, no entanto, começar a preparar o Regresso às Aulas.

Existe um misto de emoções nas crianças e jovens. Por um lado a tristeza de verem as férias acabar (afinal foram apenas 3 meses), por outro a excitação de rever os amigos, de voltar à escola e de conhecer novos colegas e professores, conhecer novas matérias e novos mundos.

Estimular e motivar é um aspeto importante a ter em conta. Vem aí mais uma jornada de trabalho, e queremos que os nossos pequenos tirem o máximo partido daquilo que a escola lhes dá. É tempo de ir às compras… A mochila, o estojo, os lápis, a borracha, as canetas, os livros, etc… fazem parte do material necessário a adquirir e podem ser uma grande dor de cabeça para os pais já que a oferta é grande e ir ao encontro dos desejos dos mais pequenotes nem sempre é fácil.

Mas existem outras “ferramentas” que não se encontram à disposição nas prateleiras.

A criança, ou o jovem, para poder tirar o máximo partido daquilo que a escola lhe proporciona também tem que estar nas melhores condições, quer psicológicas quer físicas.

Na área que me diz respeito, a Saúde Visual, a sensibilização para a necessidade de uma avaliação precoce da função visual nas crianças é um dos meus principais objetivos.

Felizmente hoje, quer Pais, quer Pediatras, quer até Educadores de Infância e Professores, estão cada vez mais sensíveis a esta matéria.

Dificuldades de concentração, lentidão na aprendizagem, sonolência, dores de cabeça e até rebeldia são sinais que não devem e nem podem ser descurados. Claro que mais fatores poderão ser responsáveis, mas nenhum deve ser negligenciado.

Se nunca o fez e o seu filho vai iniciar o 1º ano de escolaridade, deve procurar um profissional de Saúde Visual para proceder à avaliação da Função Visual do seu filho.

Os anos de trabalho, meus e da minha equipa, já nos proporcionaram múltiplas experiências, de surpresa dos pais pelo resultado dos diagnósticos, algumas vezes com graduações elevadas. Nunca deram por nada, a criança nunca teve queixas, parecia estar tudo bem, mas afinal não estava…

As razões prendem-se, por um lado, com a elevada elasticidade que o sistema visual da criança tem, permitindo muitas vezes “compensar” parcialmente a dificuldade visual existente, e por outro lado, pela capacidade de adaptação que as crianças também têm em contornar as dificuldades. Se a criança sempre brincou no chão, junto à televisão, nunca estranhámos que nunca se tenha sentado no sofá para ver os desenhos animados…

O fator genético tem, indiscutivelmente, um papel muito importante. Se um dos pais, ou os dois, têm uma ametropia (dificuldade visual) e principalmente se for de um grau já significativo, devem estar ainda mais atentos.

Existe uma dificuldade visual que é particularmente difícil de vermos sinais. Quando um olho vê muito bem mas o outro não, podem passar-se anos até o diagnóstico se concretizar e a função visual do olho que tem a dificuldade nunca se desenvolve na totalidade, surgindo aquilo que tecnicamente designamos por ambliopia.

Destaco esta questão porque ela é mais comum do que se possa pensar. É verdade que o mais comum é que os dois olhos em simultâneo, mesmo que em diferente grau, apresentem dificuldades. Mas por vezes tal não acontece.

Se o diagnóstico for precoce e a correção for aplicada, os dois olhos vão desenvolver-se da mesma maneira. Mas se assim não for, o cérebro vai escolher a imagem que lhe é proporcionada pelo olho que vê bem e como que “apaga” a outra imagem, fazendo com que esse olho não tenha o desenvolvimento devido. Quando a correção chega, já mais tarde, percebemos que aquele olho não terá a mesma qualidade de visão que o outro. É um momento indiscutivelmente difícil para os pais, mas também para o profissional, que tem que conseguir explicar que mesmo com a melhor correção, aquele olho nunca verá os “100%” que o outro olho vê.

Existem várias técnicas para estimular estes olhos “preguiçosos”. A oclusão é a mais conhecida. Quase todos nós já vimos crianças com um olho tapado. O objetivo é estimular o olho com dificuldades, tapando parte do dia (em situações mais graves até mais de 8 horas) o olho que vê bem. Reforço mais uma vez que o prognóstico será tão mais favorável quanto mais cedo for detetada a dificuldade. Brinque com o seu filho, tape-lhe um olho e depois o outro e veja se as reações são as mesmas, esteja atento.

Depois das férias tudo volta muito depressa, os afazeres, os compromissos, a falta de tempo. Mas nós, pais, aprendemos rapidamente que o mais importante são os nossos filhos. Dedique-lhes tempo e atenção, faça um Rastreio Visual.

Bom Regresso às aulas!!

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