O mal-estar entre a população de Runa e a comunidade cigana que ali reside chegou à última reunião pública da Câmara Municipal de Torres Vedras, que decorreu em Runa, com alguns populares a apontarem problemas de convivência e integração daquela comunidade. Desta vez, um cidadão não identificado enviou um e-mail a Ana Umbelino, vereadora do Desenvolvimento Social, onde demonstra o descontentamento em relação à presença de grupos daquela etnia naquela localidade.

“Também terá oportunidade de ficar a saber o nome de todos eles, pois fazem questão de gritar a bons pulmões uns pelos outros…ahh e estava a esquecer me, pode sempre comprar alguns produtos de grande qualidade que eles tem dentro da alcofa, ou presenciar alguma troca de tiros, ou zaragata com facas, e se tiver sorte pode ainda ser alvo de subtração de algum bem, ou ter a oportunidade que eles lhe redecorem a fachada da casa.”

O texto, que também foi enviado para a comunicação social, descreve episódios do dia-a-dia daquela população, utilizando a ironia para convidar a vereadora a acolher a comunidade cigana “nas imediações da sua casa” e criticando as declarações em que defendia a necessidade de estabelecer “pontes” para que todos se sintam integrados.

” (…) quando eles fizerem as necessidades fisiológicas á sua porta, quando quiser entrar e sair da sua casa e tiver de pedir licença, porque eles lhe estão a guardar a porta o dia inteiro esparramados ao sol (a receber o RSI), quando tiver que se desviar do lixo que eles despejam para a rua, ou lavar a sua entrada cheia de nodoas de gordura de eles estarem a comer à sua porta (…) “

Em resposta, Ana Umbelino lembrou que o conteúdo do e-mail “é passível de constituir prática discriminatória nos termos da Lei nº 134/99, de 28 de Agosto” afirmando, no entanto, que se encontra disponível para ouvir as reivindicações e propostas da população de Runa.

Quanto às declarações que proferiu na reunião de Câmara, a vereadora não tem dúvidas. “Assumo-as e reafirmo-as, estando disponível para as escalpelizar ou aprofundar, dando a conhecer em detalhe a minha visão sobre estas matérias, se for esse o entendimento de V.Exa, num quadro de diálogo, abertura, respeito, serenidade e honestidade intelectual, na certeza de que não me escondo sob a capa do anonimato, nem me refugio na ironia ou no sarcasmo.”

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