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Nem as barracas de riscas coloridas, nem as praias cheias de toalhas e chapéus. Findo o Verão, Santa Cruz parece voltar à essência que a define: a tranquilidade reina, o nevoeiro começa a surgir e já não se encontra por ali tanta gente. Nada a que os torreenses já não estejam habituados. É hora, por isso, de olhar para a época balnear que terminou a 18 de Setembro. “É muito positivo, foi muito bom. O tempo também ajudou bastante. Tivemos muita afluência no Verão, porque agora começa a parte mais calminha de Santa Cruz” conta Paula Fortunato, proprietária do Restaurante O Navio. “Dentro das nossas perspectivas correu bastante bem, até porque abrimos outro estabelecimento” explica Rodrigo Miranda, gerente do Radio Station Bar, que se refere ao Cantinho do Páteo, outro espaço no Páteo da Azenha.

 

Restaurantes, bares, cafés e hotelaria traçam um balanço positivo dos últimos meses. Hélia Inácio, proprietária da pizzaria La Rampa, aponta mesmo um crescimento do número de estrangeiros. Mas o aproximar do Inverno significa, para muitos, mais dificuldades em manter uma casa aberta. “Grande parte dos comerciantes vão-se embora. Fecham a porta, dizem adeus e voltam quando vier outra vez o mel. Enquanto isto está azedo, estão cá meia-dúzia deles.” O desabafo é de Mário Campos, proprietário do Bar Dali. “Por tradição mantemos a porta aberta, mas é terrível.”

Emídio Martinho, do restaurante Mamma Mia, confessa que “não tenho propriamente receio porque já estou estabelecido há 20 anos e tenho alguma estabilidade. Mas vejo colegas que estão com bastante receio.” Subimos a rua até ao Avenida Caffe para falar com Hugo Silva. “A partir desta altura é o cliente da casa, é mais paradinho a nível de pessoas. É mesmo Santa Cruz. Não há nenhum estímulo para as pessoas de fora virem para cá.” A celebrar dois anos de abertura no próximo fim-de-semana, o Radio Station Bar assegura. “Não temos a mínima razão de queixa do Inverno.” E aponta sinais positivos. “Felizmente a Câmara Municipal começa a acordar e a apoiar o comércio em Santa Cruz” nota Rodrigo, lembrando a campanha de Natal que surge no programa SantaCruz.365, dinamizado pela Autarquia. “Até lá, a época de Outubro/Novembro é fraca só por si em qualquer ponto do país.”

Santa Cruz: Verão positivo abre portas aos receios do Inverno
Emídio Martinho, Hélia Inácio, Mário Campos, Telmo Simões, Paula Fortunato, Rodrigo Miranda e Hugo Silva traçam o balanço desta época balnear em Santa Cruz.

“Só olham para Santa Cruz na época balnear, mas na verdade já trabalha e reside aqui muita gente.” Emídio Martinho critica a falta de infraestruturas, indicando a necessidade de um pavilhão onde se possam realizar concertos ou promover actividades desportivas. “Acho que faz falta qualquer coisa para puxar o pessoal para Santa Cruz. Porque isto não é só Verão, também é muito bom de Inverno.” Quanto à receita, Paula Fortunato indica os ingredientes que lhe parecem poder temperar os dias frios na costa torreense. “Acho que era bom que os restaurantes se juntassem e fizessem o festival do polvo ou do bacalhau. A sapateira tem 20 anos de festival, é muito bom porque já tem uma dinâmica muito grande.”

Aos eventos que todos apontam serem necessários à dinamização da economia local durante este período do ano, Mário Campos acrescenta que alterar a praça de táxis para junto da zona de bares e restaurantes “seria muito benéfico. Poderia melhorar um pouco o Inverno.” A alteração de circuitos de desportos do mar para a Páscoa é um dos aspectos que vê como positivo. Mas não deixa de registar. “Temos dois grandes problemas em Santa Cruz, que é o acesso e o alojamento, que continua a ser muito pouco.” Também Hélia Inácio olha para critica acessos e estacionamento na localidade. “Não há estacionamento em condições mesmo dentro da vila.”

A voz de Telmo Simões, responsável comercial do Hotel Santa Cruz, vai ao encontro da opinião dos outros agentes económicos santacruzenses. “Aqui a Câmara aposta somente no Verão.” Mas acrescenta uma ideia inesperada. “O que resultaria com toda a certeza seria um pólo universitário. Mexia com tudo e dinamizava a economia local a todos os níveis.” Não faltam propostas para dinamizar a localidade, com Rodrigo Miranda a sintetizar aquele que parece ser o objectivo de uma região. “Defendo a dinamização em que todos temos de vender o nome de Santa Cruz. Em prol de todos, deveríamos vender primeiro Santa Cruz e depois cada um o seu estabelecimento.” Porque, remata, “a nossa praia tem tudo para crescer. Temos de esquecer os 20 anos anteriores e partir para a frente.”

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