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O presidente da Câmara frisou a importância de se valorizar todo o ecossistema ligado ao vinho e à vinha, desde a produção, investigação e o enoturismo, de forma a posicionar cada vez melhor os vinhos da região e do país no mercado global.

No âmbito do programa da “Cidade Europeia do Vinho 2018 – Torres Vedras/Alenquer”, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), em Dois Portos, acolheu no dia 15 de junho o seminário “Food & Wine Lab – A importância dos recursos genéticos na valorização do território” que contou com a participação de cerca de 40 pessoas.

A atividade teve início pela manhã com uma visita à Coleção Ampelográfica Nacional e aos laboratórios do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, a que se seguiu um almoço em que puderam ser degustados vinhos de Torres Vedras e de Alenquer.

Na sessão de abertura deste seminário, o presidente do INIAV, Nuno Canada, enquadrou-o na filosofia de aproximação à comunidade do instituto que dirige, referindo a propósito da visita da manhã que Portugal possui mais de 250 castas, sendo a par da Itália e da Geórgia um dos países do mundo com mais variedade a esse nível.

De seguida o presidente da Câmara Municipal salientou precisamente a importância de se conhecer um ativo existente no concelho que é a referida coleção, bem como o percurso que se estava a iniciar no âmbito da “Cidade Europeia do Vinho 2018” de associação do vinho à gastronomia.

Carlos Bernardes aproveitou a ocasião para confidenciar que na manhã desse dia tinha estado no Castro do Zambujal com uma equipa da TVE que aí efetuara uma reportagem, tendo no decorrer da realização da mesma tomado conhecimento que durante a pré-história, nesse local, já havia produção de vinho. O presidente da Câmara Municipal realçou também a importância dos intercâmbios internacionais, como o que estava a acontecer nesse seminário e tinha acontecido recentemente com a deslocação de uma comitiva da Oestecim ao Chile, de que fizera parte, para conhecer a produção de vinho nesse país sul-americano em que são utilizadas apenas cinco castas.

Carlos Bernardes frisou também na ocasião a importância de se valorizar todo o ecossistema ligado ao vinho e à vinha, desde a produção passando pela investigação e o enoturismo, de forma a posicionar cada vez melhor os vinhos da região e do país no mercado global. O presidente da Câmara Municipal relevou ainda a diversidade do programa da “Cidade Europeia do Vinho 2018” com ações que se estendem ao estrangeiro, assegurando que o trabalho que está a ser efetuado por Torres Vedras e Alenquer nesse âmbito terá continuidade após o fim da iniciativa.

A fechar a sessão de abertura deste seminário o investigador do INIAV, Eiras Dias, referiu que esta estação está ao serviço de todos e aberto à colaboração.

“A preservação de castas autóctones portuguesas: Identidade, estudo e valorização” foi o tema da primeira comunicação da tarde, proferida pelo investigador do INIAV, Jorge Cunha. Este investigador revelou que existe um grande número de castas em vias de extinção, as quais estão guardadas em bancos, mas que devem ser aproveitadas para a produção de vinhos mais autênticos.

Edi Maletic, investigador da Faculdade de Agricultura da Universidade de Zagreb foi o preletor que se seguiu, o qual abordou os esforços que estão a ser realizados na Croácia para a revitalização de castas indígenas e os recursos genéticos vitivinícolas existentes nesse território da ex-Jugoslávia. Começou por referir as excelentes condições naquele país para a produção de vinho, atividade que remonta no mesmo à Antiguidade, devido à proximidade com o mar Mediterrâneo, o que leva a que a maior parte dos vinhos aí produzidos sejam brancos. Edi Maletic explicou que a filoxera foi um problema que também se fez sentir na Croácia, tendo devido ao mesmo desaparecido muitas das castas autóctones.

Atualmente a Croácia conta com mais de 40 mil produtores, quase todos minifundiários, possuindo 103 castas indígenas, sendo que mais de metade estão em risco de extinção. Este investigador abordou ainda os métodos de preservação e revitalização de castas que estão a ser levados a cabo na Croácia, tento também exortado para a recuperação das castas autóctones de forma a promover a autenticidade e a singularidade dos vinhos.

Ricardo Noronha, enólogo da Adega Cooperativa da Labrugeira, levou a cabo de seguida uma comunicação em que apresentou três castas particulares da região de Lisboa: Castelão, Vital e Jampal. Abordou ainda os critérios para a tomada de decisão acerca do vinho a produzir, exemplos de estratégias de vinificação que influenciam o perfil dos vinhos e novas tecnologias (como a termovinificação).

A terminar o evento, realizou-se uma prova de vinhos que utilizam castas tradicionais.

Créditos de Imagem: Câmara Municipal de Torres Vedras

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