publicidade

Um vinho licoroso da Ilha do Pico, nos Açores, e outro oriundo da Serra de Montejunto, a norte de Lisboa, estão entre os trunfos da quarta edição do “simplesmente… Vinho”, que decorre entre sexta-feira e sábado, no Porto.

Depois da Ribeira do Porto, em 2015, o evento realiza-se este ano no que resta do Convento de Monchique e de uma antiga fábrica de rolhas, em Miragaia, com passado ligado à obra literária Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, e à “trágica história de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque” e da paixão que os uniu.

O “simplesmente… Vinho” é uma ideia de dois amigos e produtores durienses, João Roseira e Mateus Nicolau de Almeida, os quais dizem que o evento é um “manifestação de nicho, independente e alternativa” face a outros certames congéneres, mas de maior dimensão, como a Essência do Vinho, que até domingo decorre no Palácio da Bolsa.

O vinho é a estrela, mas vai conviver com a arte de 18 criadores, os petiscos de sete restaurantes e a música de duas bandas portuenses.

A mostra artística “é um aproveitamento do décor” proporcionado pelo velho convento, reunindo “escultura, colagem pintura e instalação”, disse à agência Lusa o seu curador, Carlos Paiva.

Os vinhos são de quase todas as regiões portuguesas e de 13 produtores espanhóis “com muita piada”.

“Temos uma representação se calhar excessiva do Douro”, diz João Roseira, explicando que tal deve-se a ter muitos amigos e conhecidos naquela região.

Ainda assim, acrescenta, o “simplesmente… Vinho” deste ano tem “bastante Minho, Alentejo e Lisboa”.

“Este ano, o nosso convidado de honra é o Czar”, um vinho licoroso da Ilha do Pico, nos Açores, produzido por Fortunato Garcia e sem interrupção artificial da sua fermentação com a adição de aguardentes.

O Czar pode ser “seco, meio-seco e doce”, frisa João Roseira, falando com entusiasmo de um vinho que é “um caso único no mundo” e teve entre os seus apreciadores, nomeadamente, papas e czares russos.

Outro destaque é a presença da produtora Marta Soares e do seu vinho Casal Figueira oriundo de vinhas com mais de 50 anos da muito pouco conhecida casta Vital plantadas em solos calcários da Serra de Montejunto, em Torres Vedras.

Fortunato Garcia e Marta Soares e os seus vinhos encaixam no conceito alternativo que o “simplesmente… Vinho” reclama para si. “Não sou adversário de qualquer tipo de vinho. Não bebo é alguns”, resumiu João Roseira.

O organizador e produtor considera que ser “mais pequeno e mais artesanal e é também uma forma de criar valor”, algo que em sua opinião é essencial para o vinho português, para não ficar prisioneiro dos preços baixos.

João Roseira espera “que o ‘simplesmente… Vinho’ sirva para vender melhor” o vinho dos produtores presentes e para que o consumidor perceba a diferença entre a produção industrial e a que respeita a terra, as vinhas e as uvas, adotando práticas sustentáveis e até artesanais.

Pela primeira vez, por outro lado, este evento alternativo vai viajar para fora de Portugal, instalando-se numa galeria de Barcelona, Espanha, nos dias 5 e 6 de março.

publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.