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A polémica entre os taxistas e a Uber não é recente, mas ganhou novas dimensões no início desta semana. Milhares de taxistas rumaram a Lisboa na última Segunda-Feira, protagonizando uma manifestação que acabou já depois da meia-noite e com o Aeroporto de Lisboa a ser palco de vários momentos de tensão. Em causa está a legalização de plataformas como a Uber e a Cabify. “Quando legalizarem, que legalizem de forma a que todos fiquem em pé de igualdade” considera Jorge Santos, taxista em Torres Vedras.

 

“Que tipo de factura é que o cliente recebe? Eles podem passar factura, mas não pagam os impostos” continua, em conversa com o Torres Vedras Web, apontando o dedo à Uber BV, empresa sediada na Holanda. O profissional lembra ainda que os preços mais baixos praticados pela plataforma apenas acontecem “em horas de vazio”, devido às tabelas dinâmicas utilizadas. “Temos a ideia de que eles estão a abusar. Não têm aquilo que nós temos, que é a CAP [Carteira de Aptidão Profissional], nem aquilo que descontamos sobre os táxis” acrescenta Jorge Roque, da Serra Vila.

“Imponham leis para todos cumprirem e todos pagarem.” Raúl Silva, “nascido e criado” em Torres Vedras, resume aquela que parece ser a opinião partilhada pela maioria dos taxistas torrienses: condições iguais para serviços iguais. José Cruz, taxista há 25 anos, conta como já foi assaltado e como até já lhe fugiram com o carro. Quanto à polémica que se desenrola durante estes dias, também não tem dúvidas. “Façam de maneira a que todos paguem, que assim já pago menos.”

Taxistas torrienses falam sobre a Uber. "Se eu pago, eles também têm de pagar"
O Torres Vedras Web esteve à conversa com José Cruz, Jorge Santos, Jorge Roque e Raúl Silva na praça de táxis de Torres Vedras.

“Tomar a parte pelo todo”

Os episódios que aconteceram na capital, no início da semana, levam Jorge Santos a concluir que “não se pode conotar a classe com aquela meia dúzia de pessoas que fez aquele distúrbio.” E avança. “Acho que os taxistas se deviam modernizar a eles próprios. Deviam criar a sua própria plataforma, se possível tão potente como a da Uber, de modo a que pudéssemos aproveitar os meios do modo que eles aproveitam.”

Também Jorge Roque aponta o que lhe parece ser um dos caminhos a seguir. “Se o Governo entende que a Uber tem outros níveis mais concretos em ‘vestimentas’ ou em carros, que metam um uniforme para os taxistas, para que possamos ter um trabalho digno e não andar em conflitos” afirma, em jeito de desabafo. “Quando houver um Governo à altura que ponha toda a gente a trabalhar legal e em condições iguais para todos, ok” remata Raúl Silva, que não deixa de lembrar que “quem dá uma opinião dá sempre a favor da sua brasa.”

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