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A Quinta da Almiara (situada na freguesia da Ventosa, no concelho de Torres Vedras) vai acolher no próximo dia 21 de maio, pelas 17h00, o Concerto Tragicómico da “Temporada Darcos 2022”.

O programa deste concerto, o qual será interpretado pelo Ensemble Darcos, é o seguinte:

J. Haydn (1732 – 1809)
Quarteto de cordas em Mib Maior, op. 33 n.º 2 “A piada”

I. Allegro Moderato Cantabile

II. Scherzo

III. Largo sostenuto

IV. Presto

L. van Beethoven (1770 – 1827)
Quarteto de cordas n.º 11, em Fá menor, op. 95 “Serioso”

I. Allegro con brio

II. Allegretto ma non troppo

III. Allegro assai vivace ma serioso

IV. Larghetto espressivo – Allegretto agitato

I. Stravinski (1882 – 1971)
Três peças para Quarteto de cordas

Relativamente à primeira obra que será interpretada, refira-se que a mesma foi estreada no dia 25 de dezembro de 1781, no Palácio Imperial de Viena, diante dos principais músicos desta cidade austríaca, do Imperador José II e de dois distintos convidados: os grão-duques Paulo e Maria Romanov (futuros Imperadores da Rússia, que viajavam pela Europa incógnitos). Na ocasião escutou-se, pela primeira vez, uma coletânea de seis quartetos escritos por Haydn, sendo que, dadas as circunstâncias da sua estreia, passariam à posteridade como os “Quartetos Russos”. A piada que subjaz ao título do Quarteto de cordas op. 33, n.º 2 surge nos compassos finais do 4.º andamento, após impolutas páginas de imbatível graciosidade melódica. O tema do rondo começa a ser entrecortado por silêncios até que, inesperadamente, se extingue! 

Já as Três peças para Quarteto de cordas, as quais foram compostas por Stravinsky em 1914 e revistas em 1918, são um bom exemplo da forma concisa como este compositor russo procura maximizar os recursos. Nesta obra, ao invés do diálogo canónico entre instrumentos, ou da predominância de uma melodia acompanhada, sucedem-se texturas fragmentadas, abundantes em paletas harmónicas e recursos tímbricos. Em 1928, Stravinsky daria um título a cada um dos andamentos: I. Dança; II. Excêntrico; III. Cântico.

Igualmente conciso, mas numa dimensão oposta, o Quarteto op. 95 de Beethoven foi escrito em 1810 e dedicado ao amigo deste compositor alemão, Nikolaus von Zmeskall. Estreado em 1814, e publicado em 1816, este quarteto apresenta a particularidade de partilhar a mesma tonalidade – fá menor – com o primeiro (op. 18) e o último (op. 135) quarteto de cordas de Beethoven. De referir, a propósito destas peças, que Beethoven chegou a confidenciar: “O quarteto é escrito para um círculo de connoisseurs e nunca deverá ser apresentado em público”. O que não é de estranhar, dada a tremenda modernidade que o compositor evoca: concentração formal, pungência melódica, robustez rítmica, interrupções abruptas e ousadas mudanças de tonalidade. Talvez daí o título que o próprio escreveu para o seu Quarteto de cordas n.º 11: “Quartett[o] Serioso”. Nesta obra, se a essência emocional é perturbadora, a ansiedade e tensão predominam, ficando a nota final do imperativo de transcender as adversidades com os últimos compassos, vertiginosamente primaveris. Como se Beethoven conhecesse os versos de Sophia: “Depois da cinza morta destes dias /  (…) a terra emergirá pura do mar”.

No Concerto Tragicómico da “Temporada Darcos 2022”, o Ensemble Darcos será constituído por: Gael Rassaert (violino I), Paula Carneiro (violino II), Reyes Gallardo (viola) e Nuno Abreu (violoncelo).

Refira-se que este concerto será também apresentado no Museu Nacional da Música, em Lisboa, no dia 20 de maio, pelas 18h00.

As entradas para se assistir ao mesmo são gratuitas.

De recordar que a “Temporada Darcos” constitui-se como uma iniciativa singular no panorama musical nacional, na qual se divulga a música clássica segundo as suas diversas abordagens e matizes estilísticas, sendo dirigida pelo compositor e maestro torriense Nuno Côrte-Real. Os espetáculos desta temporada são na sua maioria interpretados pelo grupo Ensemble Darcos, um dos mais prestigiados grupos de música de câmara portugueses da atualidade, o qual é dirigido também por Nuno Côrte-Real e apresenta uma formação que varia consoante o programa de concerto. De realçar que têm participado na “Temporada Darcos” aclamados solistas e orquestras nacionais e internacionais, bem como proeminentes figuras do panorama musical nacional como comentadores. Sendo coorganizada pela Câmara Municipal de Torres Vedras e pela Darcos – Associação Cultural, a “Temporada Darcos” tem como ponto de partida o concelho de Torres Vedras e mais especificamente o Teatro-Cine de Torres Vedras. Em 2022 tem a sua 15.ª edição.

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