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“É um desrespeito brutal pelos utentes da Linha do Oeste. Não há informação se há ou não comboio ou autocarro que nos leve. Sofremos horrores”, acusou uma utente diária da Linha do Oeste.

Cerca de 100 pessoas manifestaram-se na quinta feira, 26 de Julho, frente ao Ministério do Planeamento e Infraestruturas, em Lisboa, em protesto contra as atuais condições da Linha do Oeste e a supressão de vários comboios desde o início do ano.

Rui Raposo, porta voz da Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste, sublinhou aos jornalistas a “supressão diária de comboios desde o início de 2017”, além dos “constantes atrasos nos horários”, num “total desrespeito pelos utentes” deste meio de transporte.

Segundo Rui Raposo, o ministro do Planeamento, Pedro Marques, já anunciou que estão em curso “conversações com Espanha no sentido de vir mais equipamento a diesel para a Linha do Oeste e para as linhas que não estão electrificadas”, além de um plano de aquisição de novo material, mas que “não é solução de curto prazo”, tendo em conta os concursos públicos que obrigam a determinados prazos.

“Até lá, a Comissão já apresentou uma proposta no sentido de serem utilizadas, provisoriamente, as locomotivas 1.400, com uma ou duas carruagens acopladas, para puderem fazer o transporte de passageiros da Linha do Oeste”, disse o responsável.

Rui Raposo lembrou tratar-se de material que está parado, “mas que funciona” e que pode ser usado numa “situação de emergência”, como reconhece ser a que se vive atualmente, “sem quaisquer comboios”, para resolver provisoriamente o problema.

O responsável alertou para o marco histórico desta linha, com 132 anos, que no dia 6 de Julho, no troço a norte das Caldas da Rainha, “não circulou, todo o dia, um único comboio”, alertando para o constante uso de duas composições quando deviam estar seis em circulação.

Em relação aos novos horários que vão estar a funcionar a partir de 5 de agosto, o responsável revela que estes “não servem as necessidades das populações”, referindo que as mesmas “vêm formalizar as supressões já feitas”.

“Vão ser eliminadas três ligações diárias e diretas entre Caldas da Rainha e Coimbra. O conselho que dou às populações é que continuem está luta, reclamem junto da CP pelos atrasos sucessivos para termos frutos”, frisou Rui Raposo.

Maria Jesus, utente diária da Linha do Oeste, na ligação Caldas da Rainha e São Martinho do Porto, explicou à Lusa o transtorno de passar “muitas horas à espera do comboio” e todo o “stress e ansiedade” a que está sujeita.

“É um desrespeito brutal pelos utentes da Linha do Oeste. Não há informação se há ou não comboio ou autocarro que nos leve. Sofremos horrores”, acusou.

A “sistemática falta de comboios, com a supressão de muitos horários ao longo do dia e atrasos de horas nas ligações” tem-se intensificado desde o início de 2017, tendo motivado diversos protestos e a entrega na Assembleia da República de uma petição com mais de 5.600 assinaturas.

Fonte: Lusa

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